O protesto que foi pacífico durante cerca de quatro quilômetros terminou em confronto da polícia quando uma minoria tentou invadir o Palácio da Abolição, sede do governo do Ceará, na noite desta quinta-feira (20). Cerca de 40 mil pessoas caminharam ordeiramente da Avenida Desembargador Moreira à Barão de Studart, passando pela Pontes Vieira.

Os manifestantes cantaram o hino nacional brasileiro por diversas vezes e gritaram palavras de ordem pedindo a redução da passagem de ônibus para R$ 2,00; atualmente ela custa R$ 2,20. Os manifestantes também pedem que corrupção seja crime hediondo e pedem agilidade para emissão das carteiras estudantis 2013, prevista para setembro deste ano.

O protesto, cuja concentração começou às 14h, só terminou às 22h, quando uma minoria tentou invadir o Palácio da Abolição. Cerca de 15 pessoas romperam as grades de proteção colocadas em frente à entrada principal da sede do governo. A polícia recuou e reagiu com tiros de bala de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo.

Um manifestante passou mal por inalar gás e spray de pimenta e teve espasmo epilético. Ele foi atendido por manifestantes, que o levaram a um hospital próximo ao local do protesto. Antes de chegar ao hospital, ele estava acordado e passava bem, segundo médicos que o atenderam.

Antes da tentativa de invasão por uma minoria radical, a maioria, que agia de forma pacífica, exigia um pronunciamento do governador Cid Gomes. O tenente Diogo, que coordenava a ação de contenção, afirmou que não era possível um pronunciamento do governador no momento, mas não explicou o motivo.

O tenente solicitou que os representantes formassem uma comissão de cinco pessoas, que iriam apresentar uma pauta de reivindicações a um representante do governador do estado; os manifestantes, no entanto, não aceitaram a formação da comissão. “Uma comissão não nos representa”, gritavam as pessoas, em coro.

Causas da manifestação
Depois da redução das passagens em várias cidades do Brasil, o grupo de estudantes tenta conseguir a redução da passagem também em Fortaleza. Vários manifestantes levaram cartazes reclamando do custo da passagem, que subiu de R$ 2 para R$ 2,20 em janeiro deste ano.

“O transporte é público e de péssima qualidade. Além de ser ruim, nós pagamos muito caro. Um trabalhador que ganha um salário não tem condições de pagar R$ 4,40 todos os dias para ir ao trabalho”, diz o estudante de direito Davi Diegues, 21 anos.

Via http://g1.globo.com/ceara/noticia/