Para manter azeitada a máquina do assédio moral e das demissões, o Itaú Unibanco paga um preço muito alto. São pouco mais de 15 diretores que elaboram o planejamento e monitoram a execução da política cruel de corte de custos e aumento das vendas de produtos.

 
Abismo

 
São dois pesos e duas medidas. Num lado da balança estão os milhares de demissões, extinção de vagas, metas inatingíveis, insegurança e doenças do trabalho.

 
No outro lado da mesma balança, pouco mais de 15 diretores. Cada um deles recebe mais de 754 mil reais por mês. Esse valor, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) é 234 vezes o que ganha um bancário que recebe o piso salarial. Quem ganha o piso precisaria trabalhar 19 anos para receber o que ganha um desses diretores do banco.

 
Demissões em massa

 
Há uma distância estratosférica, um fosso abissal, entre o piso salarial e o céu dos ceos (executivos). Lá de onde estão eles determinam os percentuais das metas, que, cada vez maiores, engordam suas bolsas. Decidem também o volume de corte de custos pela via das demissões.

 
Neste ano, só nos primeiros três meses foram eliminadas 708 vagas. Em 2012, cada um desses senhores recebeu, em média, R$9,05 milhões, segundo matéria do Valor Econômico de 11 deste mês, com base em documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 
No mesmo ano de 2012, o Itaú eliminou 7.935 postos de trabalho, reduzindo em 8,08% o quadro de empregados. Somados às demissões de 2011, foram destruídos 13.699 empregos. Tudo isso contra um resultado recorde de R$14,043 bilhões no ano passado.

 
Paradoxos

 
Ao comentar esses dados, a diretora executiva da Secretaria de Imprensa do Sindicato, Vera Luiza Xavier, destacou o aspecto paradoxal que reside nessas informações. “Os números não mentem, provam que o Itaú não fala sério quando diz que condena o assédio moral. Pois, em vez de punir os mentores dos atos abomináveis cometidos contra os bancários, premia-os com salários e bonificações estratosféricos”, protestou.

 
O diretor de Imprensa da entidade Ronald Carvalhosa condenou as atitudes contraditórias do Itaú: “O bancário é demitido, quando deixa de bater a meta. O balanço do primeiro trimestre deste ano mostra que o Itaú não cresceu. No entanto, os executivos foram premiados por sua incapacidade de fazê-lo crescer”, disse.

 

Via http://www.bancariosrio.org.br/

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