Fifa avisou, nesta quarta-feira, que não seriam admitidas manifestações dentro dos estádios da Copa das Confederações. A Rede Globo, porém, mostrou, no início da transmissão de Brasil x México, cartazes que citavam os protestos que ocorrem, desde a semana passada, em todo o país.

As mensagens mostradas burlavam o Código de Conduta da Fifa – que vem impresso nos ingressos e proíbem manifestações do tipo. A frase escrita nos cartazes era: “Esse protesto não é contra a seleção, mas sim contra a corrupção”. Os torcedores ainda usavam a hashtag #ogiganteacordou, que está sendo usada em redes sociais para falar do assunto.

Ao longo do jogo, a Globo fez questão de afirmar que era ela, e não a Fifa, que estava mostrando os cartazes proibidos: as imagens foram mostradas duas vezes, com a ênfase de que eram câmeras exclusivas: “Essas são imagens exclusivas da Globo, mostramos todos os detalhes do jogo e buscamos também isso, pois passamos por um momento importante”, afirmou, no meio do primeiro tempo, o narrador Galvão Bueno.

A primeira exibição aconteceu antes do início da partida, após o hino nacional brasileiro. Enquanto as outras emissoras que transmitem a Copa das Confederações, Band e SportTV, usavam o sinal oficial da Fifa, a Globo mostrou quatro pessoas com a mensagem – no intervalo do jogo, o SporTV mostrou a mesma mensagem e também falou dos protestos.

No momento em que os manifestantes entraram na imagem da emissora carioca, Galvão Bueno emendou um discurso que falava sobre os protestos: “Aí você vê cartazes dizendo que as manifestações não são contra a seleção. Elas são contra o aumento das passagens, contra, talvez, o excesso de dinheiro em alguns estádios em detrimento de se gastar mais com educação e saúde e também contra a corrupção”.

O mais icônico da mensagem é que ela veio logo após o hino nacional, que não foi tocado em sua totalidade, mas acabou cantado por todo o estádio. Ironicamente, no início da transmissão o próprio narrador disse que estava “tudo dentro da santa paz e muita ordem” no Castelão, ignorando os problemas enfrentados por torcedores nos arredores do estádio.

Em resposta ao UOL Esporte, a Comunicação da Globo explicou: “Assim como as vaias, que o UOL Esporte considerou altamente jornalísticas a ponto de cobrar o fato de que elas não estavam no pacote distribuído aos não detentores de direitos, os cartazes da torcida também são um fato jornalístico, como outro qualquer. E, por esse motivo, foram mostrados na transmissão. O código que o UOL menciona se refere à conduta dos torcedores, não dos jornalistas, cuja obrigação é cobrir os eventos”.

O episódio dos cartazes chega um dia depois de outra ação marcante da emissora na resposta aos protestos pelo Brasil. Na terça-feira, William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, voltou para a bancada do telejornal após passar quatro dias acompanhando a seleção brasileira.

A decisão foi explicada em um editorial, lido pelo próprio Bonner: “Você viu que, nos últimos dias, eu estive acompanhando a seleção brasileira na Copa das Confederações. Aliás, como foi planejado com quase dois anos de antecedência. Mas, à medida que as manifestações de protesto foram se espalhando, foram crescendo pelo Brasil, automaticamente elas foram cada vez mais ocupando o noticiário do Jornal Nacional. É verdade que, mesmo à distância, eu e os colegas aqui da redação do Jornal Nacional temos total condição de trabalhar juntos, com a ajuda da tecnologia. Mas, depois dos acontecimentos de ontem, eu preferi voltar para cá e participar ainda mais de perto desta cobertura”, disse Bonner.

(Uol Esporte)

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