No Ceará, o governo está construindo um aquário gigante na famosa Praia de Iracema. Os defensores dizem que vai ser bom para o turismo, mas muita gente reclama do alto custo do projeto e de possíveis danos ao meio ambiente.

O aquário do Ceará, em Fortaleza, é o maior investimento de turismo no estado: são US$ 150 milhões, o equivalente a R$ 320 milhões, valor que divide a opinião da população.

“Eu acho que essa obra poderia ficar em segundo plano. A população precisa mais de segurança e saúde”, diz o pesquisador Daniel Freire Xavier.

“Eu sou a favor: turismo, mais gente, mais investimento, mais emprego”, explica o comerciante Ricardo Aguiar.

Esse é também o argumento do governo do Ceará. “Aqui no Ceará nós queremos trazer um aquário para poder trazer esses milhões de pessoas que visitam aquários no mundo inteiro. Nós precisamos, então, ter este turista aqui qualificado. Nós não podemos viver só de turista de alta estação”, afirma o secretário de Turismo, Bismark Maia.

Mas um movimento intitulado “Quem dera ser um peixe” tomou conta das ruas e redes sociais para protestar contra o empreendimento. Entre as críticas, estão a falta de licitação para escolher a empresa responsável pela obra e a falta de esclarecimentos sobre a origem dos 15 milhões de litros de água para os tanques. “A gente tem esperança e vai entrar com ação civil pública pedindo improbidade e pedindo ressarcimento por conta do que foi gasto nessa obra”, conta a historiadora Andréa Saraiva.

O Ministério Público Federal também entrou com ação contestando as licenças ambientais que não foram emitidas por órgão federal, como o Ibama, apesar da obra ocupar parte da orla da praia.

“Segundo a legislação brasileira, impactos no mar territorial induzem licenciamento federal a ser realizado pelo Ibama. No entanto o estado fez o projeto da obra e ele mesmo licenciou no seu órgão estadual do meio ambiente”, destaca o procurador da República Alessander Sales.

O governo diz que consultou o Ibama e que o instituto informou não ter responsabilidade pelo licenciamento. Por enquanto a obra do aquário, prevista para entrar em operação em 2015, segue mergulhada em polêmica.

A superintendência do Ibama no Ceará informou que ainda não foi notificada sobre a ação do Ministério Público Federal e que a direção do órgão em Brasília avaliou que os impactos da obra seriam locais, e por isso não participou do licenciamento.

(Bom Dia Brasil/Globo)