Após a derrota do último sábado, no TUF Brasil Finale 2, a continuidade da carreira de Antonio Rodrigo ‘Minotauro’ Nogueira foi mais questionada do que o próprio resultado da luta, quando ele foi finalizado por Fabrício Werdum no 2º round. Aos 37 anos, o baiano de Vitória da Conquista conheceu sua quarta derrota nas últimas sete lutas, sendo as duas derrotas mais recentes contra Frank Mir, em dezembro de 2011, a de sábado por finalização.

Minota é uma lenda do MMA. É um ídolo mundial, um dos caras mais importantes para a profissionalização e alcance que o esporte tem hoje. Fora do octógono, é um ser-humano sensacional. Humilde, honesto, daqueles que merecem tudo o que conquistou na vida a duras penas (não vou nem citar o acidente pelo qual ele passou na infância).

No entanto, não seria a hora dele se aposentar das lutas profissionais e focar na expansão das academias, produtos e da marca Team Nogueira pelo Brasil e pelo mundo?

É complicado. Para um lutador, os combates são como um vício. Se preparar, treinar, bater peso, lutar, se recuperar. Toda essa rotina, que envolve uma relação de imensa de amizade, crescimento mental, satisfação mental e física (o que não deixa de ser uma massagem ao ego nosso de cada dia), é difícil de ser deixada de lado.

Ano passado, antes da luta contra Dave Herman, em outubro, bati um papo com Minota e perguntei sobre a aposentadoria e sua vida como empresário. “Tenho na minha cabeça o desejo de estar lutando por pelo menos mais três anos. Enquanto houver motivação e desafios vou continuar subindo no octógono.  O lado empresarial é algo que tenho analisado bastante, todos nós sabemos que a vida de atleta não dura para sempre. Tenho investido na minha linha de roupas, nas franquias da Team Nogueira e em mais alguns projetos”, afirmou o baiano.

Ou seja, em tese, Minotauro ainda quer subir ao octógono mais duas vezes. No ritmo que vai, mais um ou um ano e meio antes de aposentar. Arrisco dizer que ele espera o momento de lutar num UFC na Bahia, e, de repente, pendurar as luvas fazendo o que nunca fez: receber o carinho dos seus conterrâneos. Torço que sim. Se esse for o objetivo, acho que vale à pena continuar a busca por essa realização.

(Ivan Marques, via http://www.correio24horas.com.br/blogs/correio-combate/?p=140)

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