Acidente na Rua Silva Paulet deixou um ferido (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Eventos relacionados à criminalidade comum e incidentes de trânsito são as situações com maior probabilidade de ocorrer em Fortaleza (CE), durante os jogos da Copa das Confederações, segundo relatório de riscos produzido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O documento, que em sua maior parte é sigiloso, foi entregue às autoridades de cada cidade-sede no início de abril. A avaliação da Abin identifica fontes de ameaças que podem prejudicar a execução do torneio e atentar contra a segurança do público, de delegações e autoridades.  

Além desses dois itens, são analisadas também ameaças relativas a grupos extremistas e terroristas, incidentes com torcedores, grupos de pressão e falha técnica, sendo que os dois primeiros foram os que apresentaram menor risco de ocorrer. Cada uma dessas fontes de ameaça, segundo classificação proposta pela Abin, foram avaliadas em sete locais relacionados aos jogos, como estádios Castelão e Presidente Vargas (treinamento); instalações da Universidade de Fortaleza, que também servirão aos treinamentos; Aeroporto Pinto Martins; e hotéis que receberão as delegações. 

A metodologia adotada pela Abin faz a gradação dos riscos em cinco níveis, variando de muito alto a muito baixo. Na capital cearense, 45% das ameaças são do tipo médio e 32%, baixo. Também foram identificados riscos de nível alto (11%) e muito baixo (12%). Não foram detectadas ameaças de nível muito alto. Caso as recomendações da agência de inteligência sejam adotadas pelas autoridades, a projeção é que as ameaças com maior chance de ocorrer desapareçam, dando lugar a taxas de 30% para o nível muito baixo; 46% para baixo; e 25% para o nível médio. 

O secretário de Segurança Pública de Ceará, Francisco Bezerra, destaca que essa maior probabilidade de ocorrência de crimes comuns não é uma condição exclusiva de Fortaleza. “Pela característica das cidades brasileiras, a tendência é realmente que, se houver alguma coisa, ela esteja relacionada à criminalidade diária, rotineira. Nós não temos, por exemplo, a perspectiva do terrorismo ou de um grande desastre natural”, ponderou. 

Bezerra disse que o Estado já faz um trabalho cotidiano de combate a criminalidade e que ele será intensificado durante os jogos. “Todas as providências no Estado estão sendo tomadas: por exemplo, aumentamos o quadro de policiais militares em 3 mil novos policiais e, desde 2007, já são mais de 7 mil. Além disso, somos recordistas em apreensões de armas. De 2011 a 2013, foram mais de 13,2 mil”, afirmou. 

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Ceará tem a taxa de homicídio de 30,7 mortes por 100 mil habitantes, com dados de 2011, ocupando o sétimo lugar no ranking entre os 15 Estados que alimentam adequadamente o sistema nacional de estatísticas de segurança. 

O secretário informou que 2,2 mil policiais militares serão destacados para os locais relacionados à Copa das Confederações. Além disso, 200 homens da Força Nacional ficarão aquartelados e serão convocados caso seja necessário. Bezerra nega que essa medida tenha relação com a ameaça de greve dos policiais militares durante os jogos, noticiada em jornais locais no último mês. “(A vinda da Força Nacional) não foi uma solicitação nossa. Fomos informados que essa medida está sendo adotada em todas as cidades-sede. Não temos nenhuma manifestação disso (greve) na tropa. Isso foi divulgado até de forma irresponsável”, avaliou. 

Além do reforço policial nos locais dos jogos e da fan fest (locais públicos onde são exibidos os jogos e ocorrem apresentações musicais), o secretário destacou que o trabalho rotineiro da polícia está garantido, inclusive com a convocação de policiais em função administrativa. “Estamos fazendo uma força-tarefa, com a qual redimensionaremos a presença policial em muitos pontos para que se mexa o mínimo no efetivo operacional ordinário, tanto da capital como do interior”, disse. Segundo Bezerra, o efetivo policial do Ceará conta com 15 mil PMs, sendo que 55% atuam na capital. 

A Abin informou que, desde o final de maio, o trabalho de avaliação de risco continua sendo feito nas cidades-sede e persistirá durante os jogos da Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho. Equipes de inteligência foram encaminhadas às cinco cidades para a chamada avaliação “a quente”, que tem como objetivo atualizar as varições de risco descritas nesse relatório.

(Agência Brasil)

Anúncios