São Paulo – Um dos principais valores do Bradesco é sua política de carreira fechada, na qual a empresa não abre mão de formar os funcionários sob sua égide. Esse sistema, no entanto, acarreta problemas aos profissionais, já que o Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) é atrelado a essa filosofia e possui caráter igualmente conservador.

De acordo com a diretora executiva do Sindicato Neiva Ribeiro, o PCCS privilegia o favorecimento, o apadrinhamento e a antiguidade, além de não possuir critérios objetivos para a promoção. “Os funcionários não podem acompanhar as promoções e não sabem qual seu futuro no banco, por isto, ignoram quais passos devem tomar dentro da carreira, o que estudar, ou ainda, quais os requisitos avaliados.”

A luta por mudanças no PCCS está dentro da Campanha de Valorização dos Funcionários e integra a pauta de reivindicações entregue em 17 de abril.

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Geração Y – Outro ponto criticado pelos bancários no plano de carreira do banco é a difícil ascensão profissional. “Os profissionais, muitas vezes, ficam décadas na mesma função. E, hoje em dia, o perfil do bancário mudou muito, ou seja, ele é promovido de caixa para assistente de gerente mas na verdade vai vender produto e isto não significa que irá progredir na carreira. A Geração Y não tolera esse tipo de política e já está pulando fora”, afirma Neiva.

A chamada Geração Y é constituída pelas pessoas nascidas entre os anos de 1977 e 2000 e que têm como característica a busca por desafios e pela realização desde cedo, o imediatismo, criatividade, ousadia e pró-atividade. Possuem atributos profissionais quase unânimes, como a ambição e a avidez por reconhecimento e ascensão profissional.
“Valores estes, frutos das políticas praticadas no auge no neoliberalismo no país”, considera Neiva.

Um funcionário do Bradesco de 26 anos corrobora. “Eu estou aqui há três anos e tive uma promoção para assistente, que significa vender produto. Você vende R$ 16 milhões de plano de previdência, não ganha nem um obrigado e, no dia seguinte, aumentam sua meta. Tenho um amigo de 19 anos que ganha quase o dobro que eu na empresa onde ele trabalha. Por isso vou embora daqui”, afirma.

Uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração da USP (FIA), realizada com cerca de 200 jovens que nasceram entre 1980 e 1993, observou que 99% deles só continuam envolvidos nas atividades que realmente apreciam, e 96% creem que a meta principal do trabalho é a realização pessoal.

Por isso, Neiva acredita que o Bradesco corre um risco ao não aceitar discutir o PCCS. “Os funcionários querem um PCCS que seja transparente e democrático. Não querem também um plano onde as pessoas fiquem 10, 15 anos na mesma função sem ter valorização e sem a possibilidade de mudar de setor ou carreira”, afirma a dirigente sindical.

Campanha – A Campanha Nacional de Valorização dos Funcionários do Bradesco está nas ruas de todo o Brasil desde 7 de maio, com debates nos locais de trabalho e atividades de mobilização para pressionar o processo de negociação.

Foi lançado na terça 4 o curta-metragem da campanha que tem como mote “Bancário não é de lata é gente como você, gente de verdade!” – alusão ao Mágico de Oz. A produção foi feita para propagar as reivindicações dos trabalhadores nas redes sociais. O vídeo em formato de cinema mudo conta ainda com a participação de personagem inspirado em Carlitos, de Charlie Chaplin (clique aqui para assistir)

(Rodolfo Wrolli, Sindicato dos Bancários de SP)

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