Bancários paralisaram agência Benfica e vestiram preto

Os funcionários da agência Benfica, do Banco do Brasil, em Fortaleza, vestiram preto e cruzaram os braços nesta quarta-feira, dia 5, por uma hora, para protestar contra o modelo de gestão adotado pelo banco na cobrança de metas. 

Essa foi também uma forma de demonstrar a indignação e a solidariedade com o gerente geral da agência, transferido para uma unidade de menor porte por não atingir as expectativas da direção do BB. 

Esse vem sendo um costume do banco ultimamente: rebaixar níveis de comissão para quem não cumpre o que o BB determina. Já aconteceu em várias agências, sem falar nos gerentes que estão constantemente ameaçados de sofrerem a mesma punição. 

“A partir de agora, se descomissionar ou rebaixar gerente, vamos estar lá paralisando aquela unidade e cobrando responsabilidade da direção do BB”, avisa o diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, Bosco Mota. Ele completa: “precisamos, como aqui está acontecendo, do apoio de todos os bancários, inclusive dos comissionados, porque até os valores das comissões hoje não condizem mais com o trabalho realizado e, sem luta e sem mobilização não há conquistas”, salienta.

O delegado sindical da agência, Ailton Lopes, justificou o protesto: “esse não é um ato de uma pessoa, mas do conjunto de nós que fazemos essa agência, que fazemos o Banco do Brasil. Sabemos que esse retardamento de uma hora no atendimento tem um impacto na vida das pessoas, mas nós não podíamos deixar passar em branco nossa indignação e nossa recusa a um modelo de gestão que não atende às necessidades das pessoas. Não adianta um banco dizer que é bom pra todos, que respeita a sociedade e que quer o melhor para seus clientes, se ele exige metas absurdas e tenta sugar ao máximo os seus trabalhadores. A nossa luta é pela defesa do BB como um verdadeiro banco público”, disse. 

“Vestidos de preto, os funcionários demonstraram o seu luto e o seu desejo pela morte desse modelo que eles não querem para o Banco do Brasil. O BB atualmente foge do que se espera de um banco público assumindo uma postura fascista onde o que manda é o interesse de curto prazo para atingir metas”, analisa o diretor do Sindicato, Gustavo Tabatinga. 

Para ele, “um modelo que tem perseguido funcionários, que tem menosprezado carreiras construídas com esforço no decorrer de décadas, que pune colegas que se dedicaram ao banco a vida inteira, mas que em um só semestre não conseguiu atingir sua meta, então ele não serve mais e toda a sua carreira é desconsiderada. Portanto, se esse banco não tem diferença de um banco privado, nós temos que fazer valer a política que nós defendemos, de um banco público forte e a serviço do Brasil”. 

O presidente do Sindicato, Carlos Eduardo Bezerra, considera que essa disposição dos colegas da agência Benfica é uma resposta muito importante a essa postura da direção do BB. “Esse movimento representa o sentimento de indignação e de solidariedade existentes em todas as agências do banco”, frisou. 
“O gerente geral dessa agência está sendo rebaixado e está sendo impedido na sua progressão de carreira, está sendo transportado para outra agência como retaliação a uma responsabilidade que não é dele. Os funcionários resistem a isso porque querem atender pessoas e não um objeto a ser explorado. Esse é o conflito: enquanto os trabalhadores querem atender as pessoas, o BB quer que o bancário explore as pessoas. Essa é a política de metas do BB hoje: o cliente representa apenas um frango a ser depenado. Que banco bom pra todos é esse? Bom pra ele né?”, avalia Carlos Eduardo.

“Nós queremos negociar, temos uma pauta na mesa de negociação, mas o banco tem se recusado a sentar com os trabalhadores. E se essa postura se mantiver, nós não vamos ficar sem lutar. Se o BB não quiser negociar, nós não vamos ficar só nessa paralisação. Vamos partir para uma greve nacional para garantirmos nossos direitos”, finalizou o presidente do Sindicato. 

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Ceará

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