Por mais incrível que possa parecer, a cidade de São Paulo, com população em torno de 11 milhões de habitantes, tem um índice de homicídios inferior ao de Fortaleza, onde residem apenas 2,5 milhões de pessoas. No período de um ano, ocorreram 1.497 assassinatos na maior metrópole brasileira, contra 1.628 homicídios registrados na Capital cearense.
Comparando-se em termos proporcionais, em Fortaleza são praticados cinco vezes mais crimes letais dolosos. Mas, pela evidência de São Paulo ter bem maior destaque na mídia nacional, que sempre registra enfaticamente tudo que ali ocorre, principalmente por meio da televisão, esse sinistro recorde local passa praticamente ignorado para o resto da população do País.

Segundo o padrão internacional utilizado pela Organização Mundial de Saúde, Fortaleza apresenta a taxa de aproximadamente 65 homicídios para cada 100 mil habitantes, enquanto o índice de São Paulo fica em 13,0. Nos dois níveis, a expansão de violência já é considerada de caráter epidêmico, inequívoca comprovação do temível alerta de que algo está ocorrendo de errado no setor da segurança pública.


Até duas décadas atrás, acontecia o inverso: a taxa de homicídios da Capital paulista superava 60,0, enquanto a local não atingia os 20,0. No decorrer dos últimos doze anos, São Paulo reduziu em 12% os assassinatos, mas houve uma clara razão para que isso chegasse a acontecer: foram multiplicados os investimentos na área da segurança pública, tanto para ampliar os quadros de servidores das polícias civil e militar quanto no sentido de reforçar o acervo de veículos, armas e outros equipamentos absolutamente imprescindíveis ao exercício público de defesa dos cidadãos.

Estudiosos e pesquisadores do tema ressaltam que os bons resultados aferidos em São Paulo resultam, sobretudo, do fato de haver sido registrado por último, naquela metrópole, o maior número proporcional de prisões do Brasil. A mídia do Sudeste tem enfatizado que os Estados que mais realizaram prisões de criminosos foram exatamente aqueles com menor número de homicídios.

Pois se verifica que, em cinco dos 14 Estados com mais presos (Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Roraima e Pernambuco), bem como no Distrito Federal, ocorreram sensíveis quedas nas taxas de assassinatos.

A diferença é flagrante: nos Estados onde é reduzida a taxa carcerária de perpetradores de crimes dolosos contra a vida, os índices cresceram 62,9% em uma década, diante de 3,8% dos 14 com maior número de detentos. Por mais que se critique a deplorável situação atual das prisões, tidas sob vários aspectos como inadequadas, ineficientes e desequipadas, pesquisas demonstram que a consumação efetiva do aprisionamento evita, pelo menos circunstancialmente, o crescimento da criminalidade.

Em Fortaleza, detentora de tão lamentável recorde criminal, o medo e o sentimento de insegurança já toma conta da população, de forma notória e com justificadas razões, chegando a afetar seriamente o trânsito de pessoas e veículos, até mesmo em corredores turísticos e áreas consideradas nobres da urbe.

Condenar e aprisionar os criminosos ajudaria muito a dissipar o clima de impunidade que parece preponderar presentemente, agravado, sobretudo, no tocante a menores de idade e viciados em drogas. Essas medidas legais já seriam um passo efetivo para tentar fazer reverter uma situação persistente que não mais tem condições de ser ignorada. 

Créditos: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1274055