São tempos difíceis para Debbie, prostituta e proprietária de um bordel na região Oeste da Inglaterra. No último ano, ela se viu obrigada a reduzir seus preços para manter o negócio funcionando. E, mesmo oferecendo serviços mais baratos, enfrenta hoje uma queda significativa no número de clientes: os nove programas que fazia por dia caíram para dois ou três. Ela garante que estaria fazendo mais dinheiro trabalhando com marcenaria ou com venda de carros.

A chegada da crise ao mercado da prostituição do Reino Unido foi tema de uma matéria da revista The Economist. Com a economia fraca – o país enfrenta sua terceira recessão desde 2008 -, a população tem hesitado e pensado muito bem antes de gastar dinheiro. “A comida é mais importante; a hipoteca é mais importante; a gasolina é mais importante”, disse a acompanhante de luxo Vivienne à publicação. Ela conta que trabalha meio período na área para complementar sua renda como fotógrafa. Assim como Debbie, desde o início do ano, oferece descontos à clientela. 

A redução de preços tem se tornado comum, mas, em muitos casos, não se mantém durante muito tempo. Isso porque, segundo Marie, uma acompanhante escocesa, muitas mulheres que fazem descontos acabam voltando a cobrar os valores anteriores, uma vez que o perfil de clientes desejado não é aquele que tenta pechinchar um programa.

O problema é maior para quem dirige um negócio na área, como é o caso de Debbie e também de George McCoy, dono de um website de massagistas e acompanhantes. Ele diz que muitas das 5 mil profissionais cadastradas na página estão realmente lutando para sobreviver. Com a menor procura, os acessos ao site caíram para um terço do que eram há um ano. Pagar a conta de luz e os crescentes valores do aluguel tem se tornado cada vez mais difícil.

Nas ruas, onde os preços são os menores e a vida também é mais difícil, as prostitutas usam medidas mais desesperadas. Georgina Perry, gerente de serviços do Open Doors, um centro de saúde para garotas e garotos de programa, diz que, nos últimos anos, com a crise econômica, muitas ex-prostitutas que haviam encontrado trabalho em outras áreas acabaram voltando para as ruas. Hoje, elas oferecem serviços a, no máximo, US$ 30 (cerca de R$ 61).

A reportagem destaca o grande perigo que os profissionais da área correm, principalmente pela quantidade de informações pessoais divulgadas nos websites que anunciam seus serviços – fotos de rosto, telefone, email. Além disso, em busca de clientes, as prostitutas têm de lidar com homens desconhecidos e, em muitos casos, potencialmente perigosos. Desde julho do ano passado, 310 entraram em contato com a organização Ugly Mugs, que denuncia violência a garotos e garotos de programa. Desse número, apenas um quarto chegou a ir à polícia. “Esses profissionais estão se arriscando mais por retornos financeiros cada vez menores”, finaliza a publicação.

(Época Negócios)

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