Há algo diferente na paisagem da Beira-Mar. Não é o sol nem o mar, mas caminhões e tapumes que denunciam mais uma obra: o novo espigão, bem próximo ao Náutico Atlético Cearense. Com trabalhos iniciados há uma semana, já houve avanço de 95 metros, uma média de 15 por dia. Construído às vésperas da Copa das Confederações, o temor, de vendedores e frequentadores, são os possíveis transtornos, justo na época em que a Capital se prepara para receber visitantes.

A previsão da gestão municipal é entregar o equipamento em três meses, até setembro. Por ser mais uma intervenção na orla, especialistas acreditam que a obra não causará tantos impactos ambientais, terá a função de dar maior estabilidade ao aterro e proteção do ecossistema da Volta da Jurema. Essa construção faz parte dos trabalhos de requalificação da Beira-Mar. As pedras começaram a ser colocadas na última quinta-feira (23).

Riscos

A movimentação segue intensa no calçadão, bem em frente à feirinha. Tapumes tentam esconder, mas os trabalhos não param. São dezenas de caminhões por dia, alguns carregando pedras de duas toneladas. Além disso, o vaivém de máquinas traz riscos e temor acidentes.

“É uma construção pesada, assim, bem no meio de todo mundo. Temos que redobrar a atenção ao caminhar por aqui. Estamos achando perigoso, sim”, alerta o artesão José Roberto Barbosa, 52. Trabalhando na área, ele diz que, passado o transtorno, o espigão ficará muito atrativo, trará mais compradores. “Vai ser bom também para quem gosta de nadar, de pescar. Já estou pensando como vou poder pegar um monte de peixes”, diz.

Com barraca de vendas do lado do canteiro de obras, a vendedora Cosma Pereira Lima, 37, sonha com a nova paisagem, em trabalhar em local privilegiado.

O empresário Ésio Guerra diz que ver o pôr do sol assim, bem no meio do mar será lindo. “A Beira-Mar precisava de outro espigão, será mais um espaço de lazer, passeio e sociabilidade”, detalha Guerra. Só lamenta o fato de ter demorado tanto para começar, de como seria bom se já estivesse pronto nessas férias.

Impactos

Para o oceanógrafo Fábio Perdigão, professor do Laboratório de Gestão Costeira da Universidade Estadual do Ceará (Uece), toda obra tem impactos, mas essa, em frente ao Náutico, trará, segundo afirma, mais benefícios do que danos. Para ele, o novo espigão garantirá que a areia do aterro não fuja, além de ajudar na recomposição do bioma da praia da Volta da Jurema. “Essa obra vem ajudar a recuperar os danos feitos na construção do Porto do Mucuripe. Neste caso, teremos mil legados positivos”.

Capital já conta com 15 equipamentos em sua orla

Fortaleza conta com 15 espigões; sendo 11 na praia da Leste-Oeste e quatro na Beira-Mar. Com essas construções na orla, o diretor do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luís Parente Maia, afirma que a Capital não precisa de mais nenhum depois do que está em andamento.

“Deve ser o último espigão construído. Sinto que todos eles já conseguiram reverter os danos causados com a construção do Porto do Mucuripe”, relata. Para ele, as intervenções deveriam se centrar na Praia do Futuro. “Há muito o que se fazer lá”.

Conforme a Secretaria de Turismo da Capital, a obra foi orçada em R$ 17 milhões, incluindo a urbanização do equipamento e entorno. Recursos são do Ministério do Turismo (95%) e contrapartida municipal de 5%. Em relação aos transtornos, a gestão explicou que as obras serão contínuas, sem paralisação durante a Copa das Confederações.

“Todas as medidas de segurança estão sendo adotadas, assim como os transtornos. A área de segurança foi demarcada, porém, há casos em que a população não respeita o espaço. Não há, no entanto, registros de incidentes”, diz, em nota, a Setur.

(IVNA GIRÃO, Diário do Nordeste)

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