“The Rock” Dwayne Johnson e sua tatuagem samoana

Iman Thomas seria a primeira a dizer que ela não faz o tipo cardigã. Mesmo assim, suas gavetas estão lotadas com esses suéteres recatados de manga longa, em cores que variam entre o preto e o colorido.

Mesmo durante o clima mais tórrido, eles fazem parte de seu guarda-roupa de trabalho no escritório de benefícios a empregados de uma corretora de seguros em Florham Park, em Nova Jersey. É assim que Iman esconde as tatuagens: as imagens da Virgem Maria e de uma garota morta chorando lágrimas de sangue que brigam por espaço em seu braço direito; a teia de aranha que circunda seu cotovelo esquerdo; a borboleta que descansa no interior do punho direito; a rosa desabrochando no interior do punho esquerdo.

“Há partes do meu corpo que eu gostaria de tatuar mas, por trabalhar em um ambiente empresarial, tenho de mantê-las na lista de desejos”, diz ela. “Essa é uma companhia bastante rígida.”

Iman, de 30 anos, usou um cardigã na entrevista de emprego – por prevenção e talvez por prudência – há sete anos, e continua dando graças a Deus que a diretora de recursos humanos nunca tenha olhado para seu tornozelo, onde fica a tatuagem de uma espada com uma faixa onde se lê “Papai” (quando ela se reúne com clientes, sempre usa uma meia-calça preta). “Ninguém nunca me disse nada, mas você sabe o tipo de coisa que seria tolerada”, disse ela.

Basta olhar por aí, e fica claro que as tatuagens não são mais exclusivas dos membros de gangues, mecânicos, caras admiravelmente confiantes de que terão a mesma namorada para sempre e personalidades de Hollywood como Angelina Jolie e Lena Dunham. De acordo com uma pesquisa da Pew Research de 2010, 23% dos americanos têm uma tatuagem; 32% deles têm idades entre 30 e 45 anos.

Mas, como Iman, um certo número de tatuados trabalha em setores onde é considerado indesejável, se não abertamente inapropriado, usar sua arte no antebraço.

Dos diretores de recursos humanos entrevistados no ano passado em uma pesquisa anual do Centro para Excelência Profissional, na Universidade York da Pensilvânia, 61% disseram que uma tatuagem prejudicaria as chances de um candidato – mais que os 57% de 2011.

Abrir um processo por tal rejeição é uma opção duvidosa. “Nenhuma lei federal proíbe empregadores de tomar uma decisão de contratação por conta de uma tatuagem”, afirma Marc J. Scheiner, advogado sênior especializado em leis de contratação no escritório de advocacia Duane Morris, na Filadélfia. “Mas claramente você não pode discriminar com base na religião, então se alguém tem uma religião que se baseia em tatuagens, isso pode requerer uma análise diferente.”

“Quando as pessoas perguntam, eu digo que há uma mistura de considerações legais e de negócios”, diz Scheiner. “Claro, as empresas podem ter um código de vestimenta que não inclui tatuagens. Mas eu digo a eles para considerarem as questões de recrutamento e retenção.”

Amy L. Hayden diz que ninguém de nenhum departamento de recursos humanos nunca lhe disse nada sobre o design elaborado de florais que começa na clavícula e vai de ombro a ombro, a tatuagem de pássaro em seu pulso esquerdo, os nomes dos seus dois filhos tatuados na parte interna de seu braço esquerdo, bem abaixo das iniciais de seu falecido noivo, e uma figura maia que cobre seu braço direito do ombro ao cotovelo, um pouco acima de uma figura da bandeira de Chicago.

“Mas eu me preocupo e imagino se elas têm um papel no fato de eu não ser contratada”, disse Amy, de 39 anos, escritora e editora que se mudou de Chicago para Nova York em junho passado. Ela conta que tem feito muitos contatos, se candidatado a entre dois e cinco empregos por dia, e tido “muitas primeiras e segundas e terceiras entrevistas – às vezes, estava entre outra pessoa e eu, mas eu nunca consegui”.

Camuflagem

Bem antes do dia de Ação de Graças, Amy se candidatou a um emprego como editora no MarloThomas.com, um site no “The Huffington Post”. “Eu passei por uma entrevista pelo telefone e pessoalmente com os funcionários, e então tive uma reunião com Marlo”, conta ela.

“Eu cobri a maior parte das minhas tatuagens, mas algumas ainda estavam visíveis. Ela não disse nada nem me olhou esquisito, mas eu acho que o fato de ela ver minhas tatuagens teve um impacto – mas também pode ser apenas que ela tenha se identificado melhor com outra pessoa. (E-mails ao “The Huffington Post” sobre contratações e tatuagens não foram respondidos.)

Amy agora faz um estágio não remunerado em uma pequena editora de livros. Ela relata que, durante sua entrevista, foi avisada de que suas tatuagens poderiam ser um obstáculo quando ela começasse a procurar por um cargo em período integral.

O calor da recepção depende da natureza do trabalho em questão e a da ética da companhia. Quando Jakob Hunt trabalhou na área de recursos humanos na grife de roupas H&M, “eles se importavam que as pessoas fossem estilosas”, disse ele. “Eles viram minhas tatuagens como um diferencial.”

Elana Goldberg, de 22 anos, diretora de recursos humanos da Quantum Networks, uma empresa de e-commerce, afirma achar as tatuagens censuráveis.

“Mas minha empresa tem uma cultura bem aberta”, diz Elana. Como consequência, ela recentemente contratou um designer gráfico com várias tatuagens. “Quando você está apresentando um funcionário para um cliente e diz ‘esse é nosso designer’, presume-se que esta pessoa seja um pouco mais artística ou de espírito livre.”

“Meu chefe se interessa muito por um ambiente hipster”, completou. “Ele nunca recusaria alguém por causa de uma marca física. Se fosse o caso, isso só o faria se interessar mais pela pessoa.”

(The New York Times – Joanne Kaufman)

Anúncios