Os ânimos continuam acirrados no cenário político cearense, especialmente, no tocante à segurança pública. Protagonista da última polêmica, o ex-deputado Ciro Gomes (PSB) voltou a inflamar a relação que anda longe de cicatrizar, ao criticar setores da segurança, ressaltando, principalmente a atuação do vereador Capitão Wagner (PR).

Antes da solenidade de troca de comando do DEM, ontem pela manhã na Assembleia Legislativa do Ceará, Ciro disparou contra um suposto grupo da Polícia Militar que atuaria alinhado ao narcotráfico. Ele não poupou capitão Wagner, reverberando que o parlamentar comandaria o esquema ilícito da corporação militar. “Embora existam homens sérios e comprometidos, existe uma banda ilícita na Polícia Militar, agindo em afinidade com o narcotráfico.

Há ainda uma milícia dentro da PM. Mas, estamos achando esta milícia e, um a um, iremos cortar a cabeça desta cobra. O chefe da milícia é esse Wagner, esse vereador picareta”, acusou.
Participando de uma reunião da Comissão de Segurança em São Paulo, capitão Wagner rebateu as acusações do ex-deputado, destacando que Ciro deve usar substâncias ilícitas.

“Ele deve ter consumido alguma substância para ter perdido o juízo. Ele está falando mentiras e calúnias. Quando retornar de São Paulo, irei reunir minha assessoria jurídica para entrar com processo contra ele. Acredito no trabalho realizado e que as pessoas não se levarão por calúnias. Iremos acionar a Justiça e, desta vez, espero que a Justiça seja feita”, adiantou o parlamentar.

GREVE
Em janeiro de 2012, a categoria paralisou as atividades e Fortaleza viveu um dia de terror. Desde então, a sombra da greve e as reivindicações da PM esquentam o diálogo entre governo e corporação.  No centro desta discussão, Ciro não se esquivou do assunto ao declarar que a conduta do governo será diferente se uma nova greve da Polícia Militar acontecer em Fortaleza. “Caso haja greve da PM, cabeças rolarão”, avisou.

Em resposta, Capitão Wagner comentou que o ex-deputado não faz parte do núcleo do governo para ameaçar com “cabeças rolarão” em caso de greve. “Como ele não é secretário, isso me estranha muito. Demonstra mais uma vez a ingerência familiar no governo. É uma prova de que ele não se encontra em seu estado perfeito”, alfinetou.

AÇÕES
Ainda sobre a segurança, Ciro disse que segue, desde abril, as ações da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Civil (SSPDS), inclusive acompanhando in loco, ao lado do secretário, coronel Bezerra, algumas intervenções. Um conjunto de ações – frutos de diálogos com integrantes da área de segurança – já existe, informou o ex-deputado.

Ele reforçou, ainda, a necessidade de encontrar novas fórmulas para enfrentar a violência. “Apesar do grande volume de investimento realizado pelo Governo do Estado, o aparato do governador Cid Gomes não parece ser suficiente”, disse.

(Laura Raquel, O Estado)

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