A decisão de sair da política para “cuidar dos netos” já não parece fazer mais parte dos planos do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB). Nessa sexta-feira (10), durante a convenção que homologou os novos presidentes do partido, o tucano elevou o tom contra a política de segurança do governo Cid Gomes, prometeu engajamento na agenda da sigla rumo a 2014 e não descartou completamente hipótese de voltar a disputar eleições.

Perguntado se poderá ser candidato em 2014, Tasso disse que “neste ano, não” – em tom bem diferente do utilizado logo após a derrota para o Senado em 2010, quando ele anunciou que abandonaria a vida pública. “Não é meu objetivo, nesse momento, ser candidato”, afirmou.

O discurso do tucano-mor do Ceará, no entanto, deixa dúvidas sobre possíveis pretensões políticas. Ao fazer uma avaliação da reta final do governo Cid – com quem ele rompeu relações em 2010 –, o ex-senador disse que o Estado atingiu um ponto “insustentável na insegurança” pública e que Cid está “no caminho contrário” na fórmula de combate ao problema. “Primeiro é preciso um treinamento intensivo das polícias, montar um sistema de inteligência e, só depois, comprar equipamentos. Não adianta ter muitos carros rodando sem policiais treinados, sem uma avaliação de inteligência”, avaliou.

No palanque, ao criticar o tratamento dado pelo Governo Federal ao Ceará e questionar a “surpresa” do Palácio do Planalto com a seca do Nordeste, Tasso voltou a alfinetar o ex-aliado. “Para reconstruir o Ceará não é coisa que se faça em cima de palanque. (…) Cadê o nosso governador? Cadê ele?”, provocou.

Tasso chegou a fazer uma autocrítica e reconheceu “omissão”, ao reclamar da falta de oposição no Estado. “Estamos nesse nível, e eu me incluo nisso, por covardia. Estamos vivendo um momento de paralisia, e eu me incluo, pela acomodação acovardada”, afirmou.

(O POVO)

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