Uma das maiores contradições da humanidade é a prostituição. É profissão amaldiçoada ― tanto que as moderninhas preferem o termo “garota de programa” ―, mas é um dos sustentáculos da própria família.

Recentemente, uma garota recém-graduada em letras causou alvoroço ao assumir-se como prostituta. O mesmo bafafá que Bruna Surfistinha provocou tempos atrás. Ambas, claro, usam a denominação “garotas de programa”.

O que todos estranham é a mulher assumir esta profissão tão essencial quanto a família na manutenção da sociedade. Prostituição não pode ser assumida!

A grande hipocrisia é que os homens não ficam sem mulheres, sem sexo. Mesmo os casados que não conseguem juntar na mesma fêmea a fêmea propriamente dita mais a “esposa”, a “mulher”.

Há mulheres que adoram afirmar: “Sou uma dama na sociedade e uma puta entre quatro paredes”. Erro delas. Curtir os prazeres do sexo não é privilégio de prostitutas. Aliás, poucas são as que vendem o corpo e tiram satisfação junto com o cliente.

Orgasmos e todos os tipos de práticas para atingi-los são da própria normalidade do ser humano ― afora casos patológicos ou que atentam contra a integridade física e psicológica. Relegar isso aos prostíbulos foi e é uma válvula de escape para manter a família.

As mulheres que hoje se acham moderninhas porque “ficam” com homens, não sabem que isso é tão antigo quanto a própria prostituição. Só que antes elas eram rotuladas de “biscates”, por exemplo.

A prostituição nunca será assumida pela sociedade pacificamente. Ela provoca ciúmes entre as mulheres. Qual esposa não reagiria negativamente ao saber que o marido esteve num prostíbulo. Ou uma namorada?

O problema está na restrição à sexualidade, algo necessário para manter os indivíduos em sociedade. E mais uma vez ― esta constatação não se trata de “machismo” ―, a prostituição só deixará de ser uma atividade marginal se os homens mudarem a maneira de enxergar o sexo e as mulheres. E isso afronta pulsões da própria natureza da espécie humana.

Bate de frente com a sociedade que todos enxergam. A mesma que, por motivos óbvios, reservou à privacidade todas as práticas sexuais.

(Valdeci Rodrigues, Portal do Sidney Rezende)

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