Foto: Miguel Portela

A notícia correu rápido entre os ambulantes do Centro: as praças José de Alencar e Lagoinha (recém-entregue à população) estavam livre de fiscais da Secretaria Regional do Centro (Sercefor). Não precisou de muito tempo para que os dois logradouros públicos fossem tomados pelo comércio informal, na manhã deste sábado, véspera do Dia das Mães. “A gente precisa faturar e sobreviver e não podemos ficar longe de onde tem freguês”, confidencia um casal, tirando do carro vários “manequins” e sacos de confecções que foram transportados nos ombros para um espaço na José de Alencar.

A correria dos camelôs na disputa por espaços chamou a atenção de quem passava pelos dois locais. “É um absurdo, daqui a pouco a gente não pode nem atravessar a praça”, reclamou a dona-de-casa, Maria Auxiliadora de Oliveira.

Os camelôs comercializam, principalmente, roupas e calçados. “É o jeito. Nós temos que ganhar a vida e não podemos ficar muito afastado do Centro”, justifica José Francisco da Silva, que utiliza, além da lona no chão, manequins com exposição das confecções. Para ele, é natural a ocupação da praça. “A gente está aqui e quero ver quem vai tirar”, desafia, indiferente ao carro da Polícia Militar, parado no logradouro e os agentes da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC). A PM informa que só faz a segurança da área e a AMC, a ordenação do trânsito.

De acordo com o taxista José William Moura, a ocupação já vinha sendo observada desde o início do mês, sempre nos fins de semana, mas, no sábado, a situação piorou muito. “Sem a ação dos fiscais, eles foram se chegando e ficando. Agora, acho difícil retirá-los daqui”, diz.

Os lojistas das imediações também criticam e se dizem mais prejudicados ainda. “Trabalho numa loja bem em frente à praça e a concorrência desleal tira nossa freguesia e afasta outros que não querem vir para um Centro entregue a Deus”, lamenta o gerente de loja que preferiu não se identificar.

Na Praça da Lagoinha, que passou por reforma no ano passado, todos os espaços foram disputados pelos ambulantes. “Vou ser sincero, se tivesse sabido antes que não tinha fiscais, teria vindo pra cá desde o início da manhã. Vou me organizar para o próximo fim de semana”, anuncia o ambulante Pedro (não disse o sobrenome).

“Acho que é preciso usar até a Polícia, se preciso for, para botar esse pessoal para fora dessas praças, tão bonitas e tão abandonadas”, diz o aposentado José Dias.

A reportagem tentou ouvir a Sercefor até o fechamento deste edição, sem sucesso.

(LÊDA GONÇALVES, Diário do Nordeste)

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