A Saída de Alfredo Sáenz ocorre em meio a um imbróglio que já dura 20 anos; Javier Marín Romano será o novo CEO

O Banco Santander anunciou ontem a troca de nomes na presidência do grupo espanhol. Em comunicado ao mercado, a instituição informou que o atual presidente do grupo e vice-presidente do conselho, Alfredo Sáenz Abad, pediu renúncia dos dois cargos.

Para o posto de CEO, o Conselho de Administração escolheu Javier Marín Romano, executivo que era responsável pela divisão global de seguros, gestão de ativos e private bank. A mudança acontece dias depois de o mesmo conselho trocar a presidência do Santander Brasil.

A inesperada saída de Sáenz ocorre em meio a um grande imbróglio jurídico. Processado por falsas acusações há quase 20 anos, o executivo do gigante financeiro foi considerado culpado na época e deveria ter cumprido 90 dias de prisão, além de ser impedido de ocupar cargo no sistema bancário. Sáenz, porém, foi beneficiado por uma po lêmica anistia. Há alguns dias aconteceu uma nova reviravolta: o caso foi reaberto e o Banco da Espanha julgaria novamente se Sáenz poderia ou não continuar trabalhando.

Históric©* Em 1994, Alfredo Sáenz era o principal executivo do banco espanhol Banesto. Com a casa em dificuldades financeiras, decidiu executar uma agressiva ação de recuperação de créditos duvidosos. Um dos alvos era a empresa Harry Walker, uma fabricante de material para barcos à vela de Barcelona. O cliente devia € 3,8 milhões e o banco entendeu que os sócios haviam ocultado bens para não pagar o empréstimo.

O banco então abriu um processo na Justiça contra os acionistas que, para a instituição, deveriam quitar a operação. O processo se arrastou por quase duas décadas. Após acusações de suborno, o Tribunal de Barcelona condenou Sáenz por falsa acusação e a sentença foi confirmada pela Suprema Corte da Espanha, em março de 20I1. A decisão, porém, foi revertida meses depois pelo conselho de ministros do governo de José Luis Rodríguez Zapatero, que perdoou o executivo da pena de prisão e da proibição de trabalho no sistema financeiro.

No último mês de fevereiro, o Supremo Tribunal espanhol anunciou que o governo antedor extrapolou sua área de jurisdição ao tratar da pena administrativa de Sáenz. Após a decisão, Sáenz chegou a anunciar aue recorreria da nova decisão.

Reviravolta. Há pouco mais de duas semanas, no entanto, o governo de Mariano Rajoy emitiu ! um decreto que permite que pessoas com antecedentes na Justiça possam continuar exercendo cargos em bancos. Dias depois, o Banco da Espanha anunciou que iria arquivar o processo antigo que envolve Sáenz para abrir investigação já sob a nova legislação espanhola. Com a decisão de Sáenz, o Banco da Espanha ficará livre de dar a palavra final em um dos casos mais polêmicos do sistema bancárioo espanhol.

(Fernando Ncúmgawa, O Estado de SP)

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