Acusados de agredir nordestino, neonazistas são transferidos para a Polinter | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Acusados de agredir nordestino, neonazistas são transferidos para a Polinter | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia

Rio –  Agredido por sete neonazistas na Praça Arariboia, em Niterói, na Região Metropolitana, no sábado passado, o nordestino Cirley Santos, de 33 anos, afirmou neste domingo que esta não foi a primeira vez que fora perseguido e atacado pelo grupo de Tiago Borges Dias Pitta, que se identificou skinhead.

De acordo com o rapaz, a situação se agravou quando ele passou a gostar de músicas jamaicanas. “Tiago era meu amigo, mas quando passou a andar com esta gente, mudou. Há dois anos tentou me matar e puxou um canivete. Já estava marcado por ele”, lamentou a vítima, que distribuía currículos no momento em que foi surpreendido pelos agressores.

Ele teve uma das lentes de seus óculos quebrada ao ser agredido com um soco. Cirley foi socorrido por guardas municipais, que foram alertados pelos gritos do rapaz e pedestres. “Se fosse à noite, eles poderiam ter me matado”, disse com medo, Cirley.

SEIS MORAM NO RIO

Dos sete neonazistas presos, seis deles são de bairros do Rio e de classe média. Tiago, que é administrador, é o único da região. Ele mora no Mutuá, em São Gonçalo, segundo agentes da 77ª DP (Icaraí). O grupo foi transferido ontem para a Polinter e depois encaminhado para presídios do Complexo de Bangu. Um deles, ao ser fotografado na saída da delegacia, disse: “Deixa. Não tem mais jeito. Já estou ferrado mesmo”. 

Exceto Tiago, os demais acusados moram entre as Zonas Norte e Oeste do Rio. Carlos Luiz Bastos Neto, 33, é enfermeiro e reside no Catete. Ele teria feito prova em dois concursos públicos desde o ano passado, um deles para sargento do Exército, onde planejava trabalhar como enfermeiro intensivista.

Especialista diz que caso acende alerta

Especialista em segurança diz que o ataque de skinheads contra o nordestino de Niterói acende um sinal de alerta no Rio. Ex-capitão do Bope e antropólogo, Paulo Storani, avisa: “A ideia de skinheads ressurgiu. São jovens da periferia, que por modismo, querem chamar a atenção. Gera preocupação este grupo sair do Rio e aterrorizar em Niterói”, contou. Ele sugere que a polícia passe a ficar mais atenta e os monitore. 

(O Dia Online)

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