tribuan do ceara

Um rapaz, Luís Antônio, enfrenta a família e a sociedade para se tornar uma mulher, Gabriela. Um homem da roça, Zé Argemiro, prefere a companhia do boi Dourado ao encontro com humanos, incluindo Das Dores, sua noiva. 35 artistas cantam e dançam, celebrando quatro anos de uma companhia teatral. Esses personagens, essas histórias e tantas outras cenas poderão ser assistidas nos palcos fortalezenses a partir de hoje.

A 16° edição do Palco Giratório reúne 18 grupos nacionais e nove companhias locais para compor a programação que se estende por todo o mês de abril. Segundo a produção do evento, “o objetivo é democratizar o acesso às artes cênicas e fomentar a formação de plateia, promovendo um grande intercâmbio cultural”. O projeto é idealizado pelo departamento nacional do Sesc.

Em Fortaleza, as apresentações acontecem no Teatro Sesc Emiliano Queiroz, no Teatro Sesc Senac Iracema, na Escola Educar Sesc, no Mercado São Sebastião e no CUCA Che Guevara. E, além das apresentações, a programação inclui espaços de reflexão e debates, como “Pensamento Giratório”. Por meio de oficinas e bate-papos, o evento promove encontros de grupos locais com integrantes do circuito nacional, para troca de ideias e experiências.

O espetáculo de estreia do festival é Luís Antônio – Gabriela da companhia paulista Mungunzá de Teatro. A peça apresenta a vida de Luís Antônio, homossexual de família conservadora de Santos que foge para a Espanha e se torna Gabriela, protagonizando shows em boates estrangeiras. “Com o tempo, Luís Antônio não vai mais se reconhecendo dentro do próprio corpo, se torna Gabriela e tem de enfrentar conflitos de não aceitação dentro da família e da sociedade”, conta Marcos Felipe, ator que vive o protagonista.

Apresentando-se no Ceará pela primeira vez, a Cia. Mungunzá participou como grupo convidado no Palco Giratório 2012 em apresentação no Rio Grande do Sul. Este ano, a peça compõe a programação do evento e já está viajando por vários estados brasileiros. Segundo Marcos Felipe, “o grupo já tem experiência com viagem, com os dois espetáculos da Cia já viajamos para vários estados do Brasil e para Portugal”. Luís Antônio – Gabriela é definido pelo grupo com um documentário cênico. A peça é cheia de drama, momentos cômicos, músicas, dança e apresentações multimídia. “O espetáculo é uma polifonia de movimentos estéticos, o público fica na corda bamba preso à peça, que é um exemplo de degustação do bom teatro”. O espetáculo conta a história do irmão de Nelson Baskerville, diretor do espetáculo. “É um pedido de desculpa pela não compreensão”.

Em cartaz desde março de 2011, a peça já foi apresentada 250 vezes e mais de 30 mil pessoas já assistiram ao espetáculo. Marcos Felipe diz que o espetáculo é comovente e popular. “Apesar de ser a história de uma travesti, a peça trata sobre o ser humano e conflitos de uma família, faz com que o público se identifique”. O ator comemora a apresentação no Ceará.

“O espetáculo tem uma produção grande com um grande elenco. Se não fosse o Palco Giratório dificilmente estaríamos levando o espetáculo para Fortaleza”, conta.

Interações teatrais

Durante o mês de abril, Fortaleza será o ponto de encontro de companhias de vários estados brasileiros. O grupo SerTão Teatro Infinito Cia vem de Goiás e apresenta o espetáculo Boi. “É uma experiência incrível participar do Palco Giratório, nós encaramos o evento como uma forma de divulgar a nossa região e os artistas de Goiás”, conta Marcy Dornelas, produtora da SerTão. É a primeira vez que a Cia compõe a programação do Palco Giratório e deve viajar para 10 cidades, de Recife à Campo Grande, passando também pelo Rio. 

O espetáculo montado há quatro anos trata da história de Zé Argemiro, que, entre suas brincadeiras de menino da roça, tem como favorita a de montar na garupa do boi Dourado. Argemiro prefere a companhia dos bois, com os quais passa horas conversando.

Marcy ressalta a interação entre os grupos de outras regiões do País como ponto positivo do Palco Giratório. “Estamos bem animados para interagir, gostamos sempre de receber grupos de fora que vão para Goiás para trocar ideia e estamos animados para ser recebidos”.

Glauver Sousa do grupo cearense Às de Teatro ressalta o intercâmbio com o público promovido pelo festival. “É muito importante o retorno do público, pois é bacana quando as pessoas têm a oportunidade de perguntar como o processo de criação do espetáculo se deu e vê além do produto final”, diz elogiando o bate-papo com o público após as apresentações.

O grupo apresenta o espetáculo Concerto Ás em 4, que reúne 35 atores em cena montando um apanhado dos quatro anos de trajetória do grupo Às de Teatro. “O festival já tem um publico cativo e nossa participação será uma oportunidade de apresentar o trabalho”.

(Paulo Renato Abreu, O Povo Online)