pedofilia_e_crime

Certa vez conheci uma menina que havia sido tirada dos pais pela justiça, por terem cometido violência sexual e física contra ela e sua irmã mais nova. Ambas foram acolhidas por um dos ministérios da Lagoinha para serem cuidadas. Olhar para aquela menina e ver em seu olhar a alegria de estar com outras meninas da mesma idade, brincando, foi entender que ela estava melhor longe da família. Difícil entender, pois, o melhor lugar para uma criança viver deveria ser o seu lar, com seus pais e irmãos.

Infelizmente, existem milhares de casos como esses e outros tipos. Quem conhece bem dessa realidade é o pastor Washington de Sá, líder do Ministério Proteger Brasil. Em parceria com o Conselho Tutelar, o ministério atende mensalmente, em média, 20 casos de violência contra a criança e o adolescente. Por meio desses atendimentos, o Proteger Brasil acompanha tanto os pais ou responsáveis que estão envolvidos no problema, quanto a própria criança vítima do abuso físico, psicológico e/ou sexual. “Após as medidas legais, acompanhamos a criança e o parente em atendimentos para aconselhamento pastoral até que estejam em condições de continuarem a vida com normalidade”, explica o pastor Washington.

Tanto a sociedade quanto a igreja têm a obrigação de denunciar e buscar ajuda para essas crianças e adolescentes, que estão sendo vítimas do Abuso Sexual em Criança (ASC). Segundo a ONUBrasil, em média, 129 casos de violência psicológica e física, incluindo a sexual, são reportados diariamente ao Disque Denúncia 100. Isso quer dizer que a cada hora, cinco casos de violência contra meninas e meninos são registrados no país.

São inúmeros os sinais que demonstram que a criança sofreu ou está sofrendo algum tipo de abuso – sinais emocionais, interpessoais, comportamentais, físicos etc. Estes sinais têm influência direta na personalidade dos futuros jovens e adultos traumatizados, por isso o pastor Washingnton alerta: “Crianças vítimas de violência, em geral, se tornam também violentas. Crianças abusadas sexualmente, em geral, se tornam também abusadoras”. Os especialistas orientam que evitar certos comportamentos íntimos, tais como, “selinhos”, tomar banho junto, deixar a criança sentar no colo de terceiros etc, ajuda a prevenir o abuso, além de ser um caminho para se ajudar a mudar a realidade de muitas crianças e adolescentes.

Na Bíblia verificamos que na cidade de Sodoma a prática do abuso chegou a ser natural. No episódio de Gênesis 19, por exemplo, quando dois homens – na verdade, anjos – visitam a casa de Ló, os jovens e velhos da cidade se aproximaram da casa e pediram a Ló que os trouxesse para fora para “abusarem” deles (verso 5). Para evitar que eventos como esse ocorram com frequência, tempos depois, Deus criou alguns mandamentos visando coibir intimidades e abusos, inclusive, entre parentes: “Nenhum homem se chegará a qualquer parenta da sua carne, para descobrir a sua nudez. Eu sou o Senhor. (…) A nudez da filha do teu filho, ou da filha de tua filha, a sua nudez não descobrirás; porque é tua nudez. (…) Não descobrirás a nudez de teu pai e de tua mãe: ela é tua mãe; não descobrirás a sua nudez” (Levítico 18.6, 10 e 17).

 Levante-se seriamente contra esse mal!

Cada vez mais cedo, as crianças estão acessando a Internet e, como não sabem utilizá-la tão bem, facilmente se tornam vítimas de algum tipo de abuso. Portanto, controlar e vigiar o acesso da criança e do adolescente à Internet de fato previne o abuso. “Há pouco mais de uma década, os ‘predadores’ rondavam escolas, creches, igrejas e parques procurando crianças vulneráveis. Hoje, eles encontram tudo nas redes sociais – desde fotos a endereços das casas das crianças – e conhecem bem suas rotinas pelo que elas comentam. Segundo pesquisas recentes, pouco mais da metade dos acessos à pornografia no Brasil é feita por crianças e adolescentes”, informa o pastor Washington.

Uma pesquisa divulgada no início da semana passada revela que 40% dos adultos que encontram pornografia infantil não sabem como denunciar. O estudo realizado no Reino Unido indica que 1,5 milhão de pessoas acessa acidentalmente esse tipo de conteúdo. Entre os homens, 16% disseram que simplesmente ignorariam a pedofilia, caso encontrassem algum site do tipo.

Um dos pastores da mocidade de nossa igreja, Flavinho Marques, é contrário à omissão. “Precisamos nos posicionar como homens e mulheres de Deus contra a pedofilia. Precisamos tomar atitudes comportamentais como evitar que as crianças se relacionem com adolescentes, fiquem sozinhas ou nas casas de pessoas que não confiamos. Além disso, devemos tomar atitudes no mundo espiritual, tais como, intercedendo, ensinando nos púlpitos e alertando os membros. Recentemente, um jovem me pediu ajuda para sair do homossexualismo e admitiu que quando criança, foi abusado e que desde então, ficou preso à homossexualidade. Precisamos dar um basta nessa realidade.”

Outro líder que diariamente lida com jovens é o pastor Diogo Souza. Ele acredita num posicionamento acompanhado da ação de levar a Palavra de Deus aos pedófilos: “O Senhor tem algo maravilhoso para nossas vidas quando nós crescemos em seus princípios bíblicos. As famílias são saradas e educadas, e homens e mulheres vivem um relacionamento pleno com a sociedade e com o próprio Deus. A pessoa que tem coragem de cometer a pedofilia está totalmente distante desses princípios e não sabe o que é o amor nem por si mesma. Por isso, a igreja precisa se posicionar para levar a Palavra de Deus a essas pessoas, pois elas estão vazias e só serão preenchidas pelo Senhor Jesus”. Ana Paula V. Bessa corrobora essa visão: “Que Deus nos faça agentes de cura para as crianças e famílias que foram abusadas. Que o poder restaurador do Espírito Santo alcance esses corações feridos cancelando todo decreto de morte, de distorção da identidade. Ainda que o inimigo tenha agido para destruir essas vidas, que elas se levantem como testemunho de filhas e filhos restaurados pelo amor do Pai celestial”.

O casal de pastores Leonardo e Vanessa Capochim define a pedofilia com veemência e certa indignação: “Pedofilia, além de abuso sexual, é abuso moral. Viola a inocência e a pureza da criança. Ela causa uma ferida que perdura por toda vida. A pedofilia é uma das maiores expressões da crueldade humana”. Complementando, o pastor Wallace Tonon, busca para si e para a igreja a responsabilidade com esse mal do século: “Sou contra a pedofilia porque é algo do inferno e a igreja tem que combater esse pecado e condená-lo. Esse é o nosso papel, acabar com a pedofilia que o Inimigo tem usado para destruir a alma das crianças. Creio que isso vai acabar em nome de Jesus”.

 Uma criança vítima de ASC pode apresentar

Sinais emocionais:

– Vergonha;

– Humilhação;

– Repulsa, raiva e hostilidade;

– Falta de poder.

Sinais interpessoais:

– Medo da intimidade (abraços e carinhos);

– Solidão e isolamento;

– Erotização da proximidade e pseudomaturidade;

– Desconfiança e baixa autoestima.

Sinais comportamentais

– Brincadeiras sexualizadas;

– Regressos (urinar na cama e chupar o dedo);

– Perigos (tentar fugir de casa e se envolver em lutas);

– Autodestruição (machucar a si mesma e tentar suicídio).

Sinais cognitivos

– Baixa concentração e atenção;

– Negação;

– Refúgio no imaginário;

– Transtornos de memória.

Sinais Físicos

– Hematomas e sangramentos;

– Inflamação nas áreas oral, genital e retal;

– Desconforto com o corpo;

– Dores e doenças psicossomáticas.

Sinais sexuais

– Comportamentos inadequados e precoces;

– Exibicionismo;

– Promiscuidade e prostituição;

– Gravidez na adolescência.

 Você sabia?

O Dia da Internet Segura no Brasil (Safer Internet Day) é uma iniciativa anual que mobiliza mais de 85 países para promover o uso seguro e responsável da internet. Em 2013, o Dia foi comemorado no dia 5 de fevereiro, com o tema “Direitos e Deveres On-line”.

 Proteja seus filhos

– Mantenha o computador em uma área comum da casa;

– Acompanhe a criança quando utilizar computadores de bibliotecas;

– Navegue algum tempo com a criança internauta;

– Aprenda sobre os serviços utilizados pela criança, observe suas atividades na internet;

– Denuncie qualquer atividade suspeita e encoraje seus filhos.

:: Stephanie Zanandrais, portal http://www.lagoinha.com.br

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