Depois de Rio e São Paulo, o Itaú Unibanco quer estender seu sistema de aluguel de bicicletas para Recife e Salvador. A ideia é que as laranjinhas estimulem o transporte alternativo – e levem  marca do banco para cartões postais – nas duas capitais nordestinas em até três meses. Depois, o objetivo é avançar para as outras 8 cidades que terão jogos da Copa do Mundo de 2014.

“Há uma decisão nossa de investir nessas duas praças”, diz ao iG Cícero Araújo, diretor de Relações Institucionais e de Governo do Itaú Unibanco. “Queremos ampliar principalmente nas cidades que serão sedes da Copa.”

Na Grande Recife, o objetivo do Itaú é conseguir vencer a disputa para instalar o que seria o seu primeiro sistema intermunicipal de aluguel de bicicletas. Segundo o secretário municipal de Turismo da capital, Felipe Carreras, o sistema abrangerá também Olinda e Jaboatão dos Guararapes e terá 60 estações – o mesmo número do Rio.

 

Tabach/Divulgação

Bike Rio: projeto será levado para o Nordeste

 

“(A distribuição das estações) vai passar por um roteiro que vai ter um perfil de visitação turística também. (Mas) não será só para lazer, e sim também uma opção de mobilidade, integrada com estação de metrô e terminais de passageiros”, afirma Carreras.

Segundo a Secretaria de Estado das Cidades, a licitação será lançada até o fim do mês. O Itaú não concorrerá diretamente, mas por meio da Serttel, que é uma das empresas patrocinadas pelo banco para gerir o sistema em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O banco já havia feito uma promoção de seu sistema em novembro, durante a Festa Literária de Pernambuco (Fliporto), quando disponibilizou bicicletas em Olinda. Já a Serttel tem uma parceria com o Porto Digital, que disponibiliza 100 bicicletas nos bairros de Recife, Santo Amaro e Santo Antônio, na capital pernambucana.

Além das laranjinhas, Recife também importará as ciclofaixas de lazer existentes hoje em São Paulo. De acordo com Carreras, elas estarão em vigor a partir do dia 24 e funcionarão aos domingos e feriados das 8h às16h . Serão 22 km divididos em dois trajetos: um ligando o Marco Zero, no centro, ao Parque da Jaqueira, e outro da região central até o Parque Dona Lindu, na Praia de Boa Viagem.

Na semana que vem, a Prefeitura lançará um chamamento público em busca de patrocínio para o projeto – em São Paulo, ele é bancado pelo Banco Bradesco.

A Prefeitura de Salvador, procurada no fim da tarde desta sexta-feira (8), não comentou.

Futuro incerto 
Enquanto planeja expansão, o Itaú ainda não definiu se dará continuidade aos contratos de três anos firmados para a prestação do serviço no Rio e em São Paulo – onde o sistema começou a funcionar respectivamente em 2011 e 2012.

“A princípio, sim. Interessa ao banco, interessa às pessoas, que se apropriaram das bicicletas como um bem público. Mas não é do Itaú. É da prefeitura e da Serttel”, diz Araújo. “Então discutir o futuro com a visão de hoje é muito difícil. O comportamento futuro disso não sabemos. Pode ser que a própria prefeitura assuma. Mas dada a situação de hoje, sim, queremos continuar.”

O executivo não revela o valor investido no sistema – “é um segredo de Estado”, diz –, que é tratado como um projeto de mobilidade urbana e não de publicidade. Além das bicicletas, o banco faz reuniões e debates com trabalhadores dos transportes públicos e membros do Poder Público municipal sobre o tema da mobilidade. Os dados de utilização, por exemplo, são repassados às prefeituras para auxiliar no planejamento de ciclofaixas e ciclorrotas.

“É claro que tem o aspecto de imagem, mas não isso que a gente busca. Quando fizemos, era até um risco”, diz.

(Vitor Sorano, IG SP)

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