Por Carol Patrocínio, Yahoo Brasil! Mulher

Ih, lá vem Carol falando de política, mas esse blog não é sobre sexo? Sim, este blog é sobre sexo e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados é responsável por garantir liberdade a minorias – mulheres, gays, negros – e, consequentemente, liberdade sexual e reprodutiva a essas minorias.

Minorias são aquelas camadas da sociedade que não têm acesso a todos os direitos garantidos por lei e por isso precisam de leis específicas para sua proteção. Minorias não são, necessariamente, pequenos grupos de pessoa.

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados é responsável por “receber, avaliar e investigar denúncias de violações de direitos humanos”, de acordo com o site da instituição. E como é que uma pessoa que não acredita que as minorias merecem direitos vai presidir essa comissão?

Está na mão dele “discutir e votar propostas legislativas relativas à sua área temática; fiscalizar e acompanhar a execução de programas governamentais do setor; colaborar com entidades não-governamentais; realizar pesquisas e estudos relativos à situação dos direitos humanos no Brasil e no mundo”. E o que nós sabemos sobre ele?

Sabemos que é uma pessoa que, em primeiro lugar, não acredita em um estado laico – um estado separado da religião, seja ela qual for. E isso faz com que religiões com crenças diferentes da dele não sejam respeitadas – “Entre meus inimigos na net (sic), estão: satanistas, homoafetivos, macumbeiros…”. As religiões de origem africana já sofreram com suas crenças em projetos de lei.

Sabemos também que ele acredita que negros sofrem porque merecem, já que há uma maldição de Noé sobre a África – “A maldição de Noé sobre Canaã (o neto) toca seus descendentes diretos, os africanos” e “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato” . No mundo – e na fala – dele isso é um fato, porém não há comprovação de uma informação como essa, há?

Ele também diz que a Aids é uma doença homossexual – você pode ver essa frase e vários outros absurdos neste vídeo aqui – e que o responsável pela homofobia é o sentimento gay, que é podre – “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição”. Não entendo como uma doença que atinge qualquer pessoa pode ser uma doença gay. E também não entendo como amor pode ser algo podre. Você entende?

Além disso, ele é contra o aborto, o que interfere no direito reprodutivo da mulher e deveria ser decidido por ela, mais ninguém. E um de seus ídolos é Jair Bolsonaro, conhecido por suas frases polêmicas, opiniões sem embasamento e luta contra as minorias.

Todas essas falas podem ser vistas em vídeos na internet ou em posts no Twitter do próprio parlamentar. Não é intriga da oposição, não é ditadura gay ou luta contra uma religião específica. É luta para que todos tenham o mesmo direito, que possam ir e vir, tomar decisões sobre seu próprio corpo de acordo com sua moral e crer no que melhor se encaixa na sua vida.

Você não precisa fazer parte das minorias para lutar por elas, você não precisa deixar de acreditar na religião para notar quem usa as palavras consideradas sagradas para seu próprio benefício, e para lutar por direitos iguais você precisa ter empatia. E é bastante fácil ter certeza que Marcos Feliciano não tem.

(Yahoo Mulher)

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