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A Contraf-CUT lançou nesta segunda-feira (4) o Jornal das Bancárias, sob o título “Somos Muitas. E queremos mais“. Trata-se de uma publicação especial dirigida aos sindicatos e federações para ser impressa e distribuída na categoria, com o objetivo de reforçar as atividades do 8 de março, Dia Internacional da Mulher. 

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O material já está disponível na área restrita do site da Contraf-CUT para ser acessado pelas entidades filiadas.

“A trajetória das mulheres nos bancos é uma trajetória de luta para conquistar seu espaço”, afirma a secretária de Mulheres da Contraf-CUT, Deise Recoaro.

Ela lembra que o movimento sindical conquistou importantes vitórias ao longo desta história, muitas delas relacionadas à maternidade, sendo a mais recente a ampliação da licença maternidade para 180 dias. “Mas as desigualdades ainda são muitas”, denuncia a diretora da Contraf-CUT. 

Para se ter uma ideia, as mulheres entram no banco ganhando em média 22,9% menos do que os homens, de acordo com o levantamento do Dieese. Enquanto as mulheres são admitidas com uma remuneração média de R$ 2.318,33, os homens chegam ao banco com R$ 3.006.91. 

O jornal destaca também o 2ª Censo da Diversidade, que bancárias e bancários conquistaram na Campanha Nacional de 2012, com planejamento em 2013 e execução em 2014. A conquista é fruto das negociações da mobilização da categoria e das negociações entre o Comando Nacional, coordenado pela Contraf-CUT, e a Fenaban.

“O 2º Censo possibilitará comparar os dados com o 1º Censo, avaliar a eficácia ou não das ações afirmativas prometidas pelos bancos e definir novas políticas no rumo da igualdade de oportunidades”, avalia Andrea Freitas de Vasconcelos, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT.

Outro destaque no jornal é o Projeto de Lei do Senado nº 136/11, que está tramitando na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e “cria mecanismos para prevenir, coibir e punir a discriminação contra a mulher e estabelece medidas de proteção e garantia de iguais oportunidades de acesso, permanência e remuneração nas relações de trabalho no âmbito rural ou urbano”. 

A saúde das mulheres no trabalho também é destaque. Um dos grandes problemas que atinge tanto a mulher quanto o homem está relacionado às doenças e transtornos mentais, causados por excessivas pressões por vendas de produtos bancários, que muitas vezes desembocam para o assédio moral.

“As mulheres muitas vezes são pressionadas ou induzidas a utilizarem dos atributos físicos para facilitar a venda de produtos. É muito comum ouvir relatos de bancárias que dizem serem ‘instruídas’ a aumentarem o decote para aumentarem as vendas”, aponta Deise.

Embora sejam fenômenos recentes, os assédios moral e sexual no local de trabalho estão muito presentes no dia-a-dia, e as vítimas, na maioria dos casos, são mulheres. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que 52% das mulheres economicamente ativas já foram assediadas sexualmente.

“Queremos que as mulheres sejam valorizadas e reconhecidas pelo seu profissionalismo, pela sua capacidade e pelo investimento na formação e qualificação. Por isso, precisamos nos organizar em todos os cantos do Brasil, de modo a denunciar e pressionar para que o assédio não ocorra mais”, ressalta Ivone Silva, secretária-geral da Contraf-CUT.

O jornal salienta ainda a importância da organização das mulheres, através de coletivos nos sindicatos e federações, buscando diagnosticar os problemas que afetam as mulheres nos diversos bancos, “refletir sobre a condição das bancárias sob a luz do conhecimento acumulado em universidade e pelo movimento sindical, a fim de formular propostas e intervir tanto no local de trabalho como em questões mais amplas da sociedade”, enfatiza Ivone.

Fonte: Contraf-CUT