Uma estudante do 5º semestre de agronomia da Universidade de Brasília (UnB) foi à polícia nesta segunda-feira (18) e afirmou ter sido vítima de agressão corporal motivada por homofobia.

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A mãe da jovem, Sílvia Rodrigues, afirma que a filha, que prefere não ser identificada, andava em direção ao carro no estacionamento do ICC Sul, por volta das 17h desta segunda, quando foi derrubada por um homem, aparentemente com idade entre 18 e 22 anos. O agressor teria desferido socos e chutes contra a estudante enquanto gritava “lésbica nojenta”. Sílvia Rodrigues diz que, após algum tempo, a filha conseguiu empurrar o homem, que fugiu.

De acordo com a família da estudante, ela precisou de atendimento médico e teve a perna esquerda e o braço direito enfaixados. À noite, ela registrou ocorrência na 2ª delegacia de polícia, na Asa Norte.

A mãe da jovem diz não saber o que fazer. “Estou indignada e revoltada. A que ponto chega a homofobia? Qual o limite de uma pessoa que faz isso?” Sílvia Rodrigues afirma que a filha está com medo de voltar às aulas na universidade. “Ela está com medo de sofrer uma agressão de novo, pois parece que a pessoa já a conhecia.”

A Polícia Civil disse que, por enquanto, não se pronunciará sobre o caso. A UnB afirmou que não fará declarações por falta de conhecimento do ocorrido.

Os estudantes do CA (Centro Acadêmico) do curso de direito da UnB (Universidade de Brasília) se surpreenderam ao encontrar pichações de conteúdo homofóbico na porta de sua sede.

Na sede do centro acadêmico, na Faculdade de Direito, foram pichadas as frases: “Ñ aos gays” e “Quem gosta de dar, gosta de apanhar”.

O CA de direito divulgou em sua página no Facebook uma nota na qual condena o ocorrido. A iniciativa recebeu diversas manifestações de apoio.

Segundo o diretor da Faculdade de Direito da UnB, George Galindo, foi aberta uma sindicância no âmbito da unidade para apurar o caso. Galindo afirmou ainda que tanto a Faculdade de Direito como a reitoria repudiam veementemente o fato e vão fazer todo o possível para esclarecer os fatos e que, se preciso, seriam acionadas a Polícia Civil e Federal.

Para o estudante Hugo Fonseca, membro do CA, o fato é apenas “mera reprodução do que acontece diariamente”, mas que, segundo ele, as manifestações homofóbicas estão cada vez mais explícitas.

Luta contra homofobia

A universidade possui um histórico contraditório sobre o tema. Por um lado, já foi palco de várias ações contra a homofobia, como a campanha “UnB fora do armário”, cuja última (edição em maio de 2012) contou com um “Beijaço”.

No entanto, não é a primeira vez que sofre manifestações de preconceito: No ano de 2007, alojamentos de alunos africanos que residiam na Casa do Estudante foram incendiados. A própria faculdade de Direito já foi alvo de uma outra pichação, que fazia referências homofóbicas aos estudantes de Relações Internacionais. Na época os dois cursos dividiam o mesmo prédio.

Agência UnB e R7

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