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Quando Roberto Cláudio (PSB) anunciou seus secretários, afirmei que a equipe tinha qualidade acima da média da coligação que o elegeu. O prefeito fez concessões, claro, mas muito menos que o usual. Basta comparar, por exemplo, com as presenças partidárias nos governos de Cid Gomes (PSB) e Dilma Rousseff (PT). No entanto, de alguma forma, a conta dos apoios é cobrada. Numa coligação tão ampla, e que se tornou quase absoluta no segundo turno, a fatura é necessariamente alta. E ela vem sendo regiamente paga nos escalões inferiores. Nesse balaio de nomeações, claro que há gente qualificada, muitos servidores públicos designados para funções comissionadas. Mas, também, muitas cotas partidárias. Inclusive gente que batalhou até o último instante por lugar no primeiro escalão – provocando até adiamento de alguns anúncios – sem que o prefeito cedesse. Mas não havia como negar algum espaço que fosse. Esse é o jogo jogado. Faz parte da política. Não penso que seja impossível fazer diferente, mas Roberto Cláudio não foi eleito pela proposta de romper com as práticas vigentes. Pelo contrário, ele se propôs a replicar o modelo estadual, com apoio federal A ruptura era apenas municipal. Foi essa opção que fez o eleitor. E aí também não se trata de demonizar as cotas partidárias. São representações legítimas na democracia. Não será com a marginalização das siglas ou com sua tentativa de exclusão dos quadros administrativos que será resolvido o problema da política. Como a coluna salientou anteontem, não há alternativa para o País que não passe pela regeneração, na falta de melhor palavra, dos partidos. Raciocínio que não elimina o fato de que as legendas estão profundamente degeneradas e que suas presenças em espaços de poder são problemáticas, sim, salvo parcas exceções. Como essa é a regra do jogo convencional, os governantes, no limite, tentam estabelecer mecanismos para manter essas indicações partidárias sob controle. A estratégia de Luizianne Lins (PT) era, por vezes, tentar centralizar ações nas mãos de gente em que confiava. Engessou a gestão e não deu certo. Já Tasso Jereissati (PSDB), por exemplo, colocava espécies de “cães de guarda” como subsecretários, para exercer quase uma vigilância sobre os titulares. Roberto Cláudio foi pelo caminho inverso. Colocou no topo gente sua e deixou as cotas dos aliados para os escalões inferiores. Talvez seja melhor assim que o inverso.

O problema maior não é nem partidário. Já estavam no primeiro escalão o irmão do prefeito, o irmão do governador, o filho do vice-governador, agora entraram filhos e genro de deputados. Se os primeiros casos não configuram nepotismo para o Supremo Tribunal Federal (STF), os últimos – por não serem cargos de primeiro escalão – correm risco, sim, de enquadramento como nepotismo cruzado.

(Érico Firmo, Política – O Povo Online)

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