Leonardo Lucena_PE247 – Menos de 24 horas após a presidente Dilma Rousseff (PT) se encontrar com o governador de Pernambuco e potencial candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, o líder do PSDB na Câmara do Deputados, Bruno Araújo, declarou que sua legenda poderá vir a se unir aos socialistas na eventualidade de um segundo turno das eleições 2014. O deputado afirmou que ambos os partidos tem um discurso parecido na medida em que fazem oposição e críticas ao Governo Dilma e ao PT, ganhando apoio da população. As declarações do parlamentar reascendem a discussão sobre a proximidade entre tucanos e socialistas em nível federal, especialmente entre Eduardo Campos e o senador mineiro e pré-candidato pelo PSDB, Aécio Neves.

“Um encontro entre PSB e PSDB pode ocorrer no segundo turno da eleição presidencial”, afirmou Bruno Araújo em entrevista à Rádio Folha. “Acho que o PSB poderia apoiar o PSDB. E o PSDB pode apoiar o PSB. É um movimento possível, sem impedimentos”, observou. Araújo acrescentou, ainda, que ”haveria sintonia no que diz respeito ao discurso de oposição em ambos os lados. O que poderia provocar uma aproximação direta numa segunda etapa da disputa eleitoral”.

O primeiro ponto que merece atenção quanto às declarações do congressista é a possível “sintonia” entre PSB e PSDB em um eventual segundo turno nas próximas eleições presidenciais, em 2014, com um dos partidos na segunda etapa. O fato é que, segundo o cientista político da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Michel Zaidan, Eduardo Campos teria mais a perder do que ganhar caso opte pela aliança com os tucanos, porque, mesmo com as denúncias de corrupção envolvendo o ex-presidente Lula e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de menos de 1%, a opinião pública marcha junto com o PT.

Os motivos para este apoio podem ser atribuídos a fatores como o menor patamar da história da taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 7,25%, e o nível de desemprego, que chegou a 4,9% em novembro de 2012, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o segundo melhor resultado desde o início da série histórica em 2002 e que ficou atrás apenas dos 4,7% referentes a dezembro de 2011.

A segunda questão a ser refletida a partir da entrevista do deputado é o entendimento que as críticas, tanto do governador Eduardo Campos como dos oposicionistas, em especial PSDB, DEM e PPS, sobre a forma como a presidente conduz a economia, estão caindo nas graças da população. De fato, muitos prefeitos e uma ala do empresariado têm apoiado o gestor pernambucano, quando o socialista defende, por exemplo, o Pacto Federativo para dar mais autonomia aos municípios de gerirem suas próprias políticas econômicas. No entanto, vale ressaltar que Dilma chegou a uma popularidade superior a 70% e isso significa que Eduardo poderia perder credibilidade se apoiasse o PSDB em um possível segundo turno, o que, aparentemente, é pouco provável.

“Eduardo Campos não tem nada a ganhar apoiando Aécio Neves e perde o apoio do Governo Federal. O prazo de validade de Aécio já venceu’”, disse Michel Zaidan, que atribuiu a atuação discreta do ex-governador mineiro principalmente ao PSDB paulista, que, segundo ele, “não admite que os tucanos tenham outro candidato que não seja de São Paulo” e, em consequência. Este posicionamento teria acabado por prejudicar a imagem do senador. “Poderia (Aécio) ter saído candidato quando era governador de Minas Gerais, em um bom momento da política dele”, complementou.

Caso Eduardo se mantenha na base do Governo Dilma e só venha a sair candidato em 2018, o estudioso dá a entender que o governador não será prejudicado se receber o apoio do PSDB naquela ocasião. “O mais importante é o apoio de partidos como o PT e o PMDB”, observou.

Independentemente do que venha a ocorrer em 2014, se o Governo Dilma continuar assegurando taxas baixas de desemprego, mesmo com um crescimento pífio em termos de PIB, Campos pode se arriscar a cometer um “suicídio político” apoiando Aécio Neves, caso o tucano vá para o segundo turno.

Até porque outro fator que contribuirá para desgastar a imagem dos oposicionistas é o possível julgamento do chamado “Mensalinho Mineiro”. As denúncias dão conta de que o então candidato a governador de Minas Gerais em 1998, Eduardo Azeredo (PSBD) – que tentava a reeleição, mas não foi eleito -, teria se beneficiado de recursos públicos para fortalecer a sua campanha, tendo como um dos participantes o empresário Marcos Valério, o pivô do Mensalão do PT, em 2005, e condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

(Brasil 247)

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