huck tucano

247 – No Rio de Janeiro, não se pode dizer que os tucanos sejam bons de voto. O último governador eleito pelo partido, em 1994, foi Marcelo Alencar, que tinha origem no PDT de Leonel Brizola. Para as próximas eleições, os tucanos podem dispor de quadros qualificados como o ex-ministro Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Ligados ao ex-presidente Fernando Henrique, eles poderiam, uma vez filiados, e com larga bagagem na área econômica, cumprir o papel de candidatos ideológicos, identificados diretamente com o programa da legenda e as aspirações de suas tradicionais bases em certa faixa da classe média carioca. Malan, dos bancos da PUC para o banco Itaú, Armínio com seus jogos de golfe no Itanhangá e o Gávea.

Os tucanos fluminenses, porém, parecem estar escolhendo outro caminho. Nada ideológico e inteiramente midiático. Super exposto na Rede Globo, preenchendo capas de revistas com sua face de bom moço e praticando, na tevê, um certo assistencialismo de oportunidade, o nome estudado pelo PSDB do Rio, hoje, é o do apresentador Luciano Huck.

Em seu currículo, que passou a agregar, no final de dezembro, uma recusa ao teste do bafômetro, Huck tem a distinção de praticamente ter defendido a pena de morte para o ladrão que ficou com seu relógio Rolex, em São Paulo, no ano passado. Seria, assim, um liberal nos costumes, mas um conservador nas atitudes práticas.

Dono da mais luxuosa pousada na ilha de Fernando de Noronha, Huck enfrenta dificuldades na área ambiental no próprio Estado do Rio. Outra de suas propriedades, no litoral de Angra dos Reis, foi considerada ilegal pelas autoridades, em razão da destruição natural provocada numa área preservada.

Huck está gostando de ser lembrado. Ele não nega ser um pesonagem vaidoso. É, afinal, um artista que vive da própria imagem. O burburinho em torno dele, no entanto, é visto por duas óticas dentro da Rede Globo de seu patrão João Roberto Marinho. Há um grupo que gosta do que ouve, uma vez que pré-candidatura Huck pode levar a uma inserção direta dele no mundo dos interesses políticos. O apresentador, afinal, sempre gostou de frequentar gabinetes de autoridades.

É por esse mesmo motivo, porém, que outro grupo, mais numeroso, não olha com simpatia para a entrada do apresentador numa atividade vista, para o dizer mínimo, com reservas pelo grande. Ou, por acaso, os políticos estão em alta?

Um Huck político, assim, tiraria ainda mais credibilidade do apresentador. Nos últimos anos, assim como passou a dar entrevistas insinuando-se pronto a concorrer a qualquer cargo, sem excluir a Presidência da República, é claro, Huck começou a gostar mais e mais do momento de seu programa, aos sábados, em rede nacional, no qual pratica o gênero hiperrealista. Com a vatagem, para ele, da distribuição de prêmios, que passam a ser sonhos realizados. Nem Celso Russomano, que ficou em terceiro nas eleições municipais de São Paulo, faz melhor.

Huck é um novato experiente. Ele gosta de começar por cima. A ideia em gestação, agora, é a de testar seu nome como candidato a governador do Rio. O que você acha?

(Brasil 247)

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