OGUM, ORIXÁ REGENTE DE 2013

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Segundo o Ifá, 2013 será regido pelo Orixá Ogum, o glorioso guerreiro, que sempre nos socorre em nossos momentos mais difíceis de nossas vidas. Aquele que nos ampara em nossas demandas do dia a dia, nos socorrendo quando forças estranhas tentam de todas as formas nos afastarem dos caminhos que traçamos para que possamos nos aproximar de Deus e de nossos Orixás, em busca do aperfeiçoamento de nosso espírito.
 
Sincretizado com São Jorge tem algumas particularidades com o Santo católico, e a maior delas, é justamente a batalha, pois à exemplo de Jorge que sempre amparava os Cristãos em sua luta contra os “pagãos”, Ogum sempre amparou os povos africanos em suas guerras tribais.
 
No mundo atual, Ele nos ampara na batalha cotidiana, nos dando força para trabalhar, nos auxiliando em busca do progresso, nos dando forças para superar as agruras da vida, e assim por diante.2013 será regido por Ele, e vem auxiliado por Oyá, que será sua companheira por todo o ano, e vem ainda com Obaluayê e Oxum Marê.
 
Com Obaluayê, traz para nós a promessa de cura para muitas doenças que até então vêm causando danos irreparáveis na humanidade, e que até agora, a medicina não consegue, independente de seu esforço, diminuir o sofrimento daqueles que convalescem em seus leitos, também, traz com este Orixá, o desvendar de muitos mistérios da humanidade.
 
Com Oxum Marê, Ogum nos traz caminhos de riqueza, de prosperidade, de transformação. Afinal Oxum Marê é o arco íris, é aquele que leva água para o céu para que Olorúm e os Orixás possam beber. Traz ainda com Oxum Marê a promessa de uma vida melhor para nós do Santo que fizermos por merecer.
 
Porém, com Oyá, Ogum traz a justiça implacável acima de todas as coisas. Chegou o momento de todos nós acertarmos as contas que devemos. Oyá tanto é guerreira, como é a Senhora da justiça e juntamente com Ogum, vem pedindo para o povo de Santo, não temer as perseguições que vimos sofrendo, pois a justiça se aproxima e novos tempos se aproximam.
 
Independente de sermos desta ou daquela religião, temos que nos lembrar de que: “com a mesma força que julgarmos nosso semelhante, assim Deus nos julgará”. E nossos Orixás, nada mais são que a manifestação da Justiça Divina, desta Lei que se aplica a todos nós independente da cor, raça ou credo.
 
Ogum ainda nos promete um ano de fartura, de boa colheita, contradizendo assim, aqueles que professam fim do mundo, fome, miséria e outras coisas mais. Como Senhor do ferro e do aço, sabemos que foi Ele quem inventou as ferramentas agrícolas e ensinou o homem a arar a terra, para assim tirar dela seu sustento.
 
Agora, neste ano em que irá governar nosso mundo, ele nos traz a promessa de mesa farta, de boa colheita e de sorte nos negócios e trabalhos. Temos, pois, um bom ano para iniciarmos novos projetos, para darmos rumo novo em nossas vidas, porém temos que nos ater ao merecimento individual, e nos lembrar de que nada teremos se nada merecermos.
 
E que este julgamento compete a Deus e seus Orixás e não aos zeladores de santo. Assim sendo, se por ventura não conseguir alcançar o que deseja, faça uma reflexão de sua vida no ano que passou e reveja sua postura dentro do Santo.
 
Devemos entrar o ano vestindo as cores de Ogum, de Oxalá ou de Yemanjá, e se possível entregar oferendas a Yemanjá e Oxalá pedindo que seu filho Ogum, nos enxergue com bons olhos e que este Glorioso Guerreiro, nos traga sua prosperidade.
 
Um feliz 2013 com muito axé.
 
Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá, Presidente do Conselho Religioso da UNESCAP.
 

OGUM, O FILHO AMADO DE ORUMILÁ

                                                                      

Como já nos foi mostrado por Ifá, o ano de 2013, será governado por Ogum. Mas, quem realmente é este Orixá?
 
Alguns pensam ser ele, apenas um guerreiro, que à exemplo do deus Aires da mitologia grega, bebe sangue de seus inimigos e faz sua cama com a pele dos mesmos. Para outros, Ogum é sinônimo apenas de luta em um campo de batalhas, não mais restando nada para que este grande Senhor possa fazer pela humanidade, além de nos conduzir às estradas da guerra.
 
Mas, Ogum é muito mais que isso. Foi Ele, quem descobriu o ferro e posteriormente o aço, em suas formas primitivas e aprendeu a manipulá-los construindo assim, as primeiras armas, pois as usadas antes eram de madeira.
 
Após esta descoberta e a fabricação de armas, Ogum inventou as ferramentas agrícolas e com elas, ensinou os homens a arar a terra para que pudessem tirar dela seu sustento, de forma menos dolorosa, pois que, tudo era feito de forma muito primitiva. Graças a esse ato, foi lhe concedido o título de protetor da agricultura, o que muitos pensam ser de Odé. Mas na verdade é de Ogum este título, pois que, graças a ele, a humanidade passou a ter mais comida na mesa.
 
E assim seguiu Ogum, sempre em busca de novidades que pudessem colaborar com o progresso e consequentemente com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Enquanto seus irmãos, se dedicavam aos exageros da carne, Ele por sua vez, se entregava de corpo e alma ao trabalho, e nada mais fazia sentido para este Orixá, que não fosse a labuta do dia a dia, e seus filhos tendem a ser exatamente assim, preferem mais o trabalho, que os prazeres da vida. Ao menos com excesso.
 
Ogum sempre foi também, muito amoroso e respeitoso a seus pais, nunca os desobedecendo, não importando quais fossem suas determinações. Contam as lendas que, determinado dia, Orumilá chamou Ogum à sua presença e disse a Ele que seu irmão Exú, estava indo longe demais em suas maldades, que estava matando até mesmo crianças e velhos e que Ele, Orumilá, o Pai de todos, não podia mais suportar tais atos, e assim, solicitou que Ogum impedisse Exú.
 
Então, Ogum disse respeitosamente: “Meu Pai; como vou fazer para deter meu irmão, que não escuta ninguém; e julga-se senhor de tudo”? Orumilá então respondeu:
 
“Ogum meu filho: eis que o que vou lhe pedir é demasiado forte e pesado, mas se confias em mim, como seu Senhor e de todas as coisas me atenderá: conversarás com seu irmão, e dará e ele uma chance de se redimir, mas, se ele assim não o quiser, terás que obriga-lo a parar, nem que seja tirando-lhe o bem maior que lhe dei: a vida”.
 
Então, Ogum voltou para a Terra e conversou com Exú. Explicou-lhe o que havia ocorrido, e suplicou-lhe que parasse com suas maldades, pois seu pai já não mais suportava tais atos e estava disposto a qualquer coisa para por fim a tanta barbárie. Porém, Exú, muito orgulhoso, e prepotente, disse ao irmão, que nem Ele, nem mesmo Orumilá mandavam n’Ele, e, que seguiria sua vida como bem quisesse.
 
Algum tempo depois, Ogum soube que seu irmão não só cumpriu sua palavra, bem como, havia tomado proporções muito maiores em suas maldades. Então, Ogum procurou Olodumarê, colocou-o a par de toda a situação e perguntou o que faria. Olodumarê então respondeu que Ogum sabia já o que devia ser feito, e que o fizesse sem mais demora.
 
Voltou Ogum para a Terra, e foi em busca de seu irmão. Novamente tentou conversar com ele, na esperança de que conseguisse que o irmão parasse com seu atos cruéis. Mas, Exú não queria saber e ofendia Olodumarê com palavras e atacava inocentes. Então, não vendo outra saída e após vários esforços, 
Ogum não teve outra opção que não a de ceifar a vida de seu irmão que não obedecia a Olodumarê.
 
Vendo que seu filho chorava, carregava no peito a dor pelo ato cometido, mas, nunca se voltara contra suas vontades, Olodumarê o convocou de novo à sua presença e o presenteou com um reino, e fez com que esse reino prosperasse muito. Mas mesmo assim, a dor não sumia do coração de Ogum.
 
Assim sendo, passou a trabalhar ainda mais, e cada dia que se passava se dedicava ainda mais ao trabalho, como forma de manter sua mente ocupada, buscando deste jeito, se desvencilhar do tormento que vivia. E quanto anoitecia o cansaço era tanto, que mal se deitava, o sono já o arremetia para bem longe dali.
 
E assim ele seguiu o resto de seus dias. E começou a se dedicar a arte da guerra e não existia guerreiro que pudesse competir com ele em sabedoria, destreza, esmero, maestria no manejo da espada, inteligência para criar estratégias de batalhas e começou assim a ganhar títulos e mais títulos e através de suas guerras foi aumentando ainda mais seu reino. Afinal, fora ele, nascido para a guerra, era guerreiro por excelência, e ninguém podia competir com Ogum em um campo de batalha.
 
Mesmo sendo esse guerreiro nato e indestrutível, Ogum nunca parou com suas pesquisas e estudos sobre os minérios que encontrava no solo da Terra e com eles foi desenvolvendo mais e mais ferramentas e armas e proporcionando cada vez mais aos homens, uma vida mais digna e menos doída.
 
Construiu muitas coisas e deixou outras tantas para a prosperidade. E depois que se encantou como Orixá, continuou a defender seu povo, buscando formas cada vez mais inovadoras para que pudessem vencer suas batalhas.
 
Ainda hoje, vemos Ogum em tudo no nosso dia a dia: Ogum é o caminhão que transporta o progresso, e o aço que constrói nossas pontes, prédios, geladeiras, e todos os utensílios que usamos. É Ele ainda, a estrada de ferro por onde passa o progresso da humanidade, é o barulho da arma de fogo, é o asfalto que nos proporciona uma viajem mais confortável, é o avião que nos leva rápido em qualquer direção do planeta, enfim: Ogum é tudo que supera as dificuldades, pois é o progresso, pois sem a descoberta do ferro e do aço, e as formas de manipular os mesmos, não teríamos hoje, nada do que temos.
 
Conta-nos outra lenda que Nanã desentendeu-se com Ogum e foi pedir a Olodumarê que o punisse, mas, Olodumarê disse a Nanã que Ogum era um filho bom, obediente e justo e que dificilmente sua reclamação contra Ele procedia. Então, deu o direito de Ogum se pronunciar, e ao ver que nada do que lhe dissera Nanã combinava com a realidade, Olodumarê sentiu muita raiva dela e culminou por expulsá-la de sua casa.
 
Mais tarde, Ogum se encantou por uma linda ninfa, e pediu seu Pai que consentisse na união, e Ele não só consentiu, como deu-lhes um reino de presente. Esta ninfa era uma das Yemanjás novas, que após a união com este Ogum, passou a adotar o nome de Ogunté, ou seja: Aquela que contém Ogum.
 
Como este Ogum era o verdadeiro Senhor dos ferreiros, ela vivia em sua companhia  e com ele aprendeu a manusear tanto a espada como outras armas de guerra e assim passou a guerrear junto de seu amado esposo. Com a partida dele para o reino de seu Pai, ela ficou sozinha e passou a andar a noite, e assim passou a ser temida como a “Amazona que caminha de noite” e todos tinham medo de sua ira, afinal com seu esposo Ogum, ela aprendera todos os segredos da Guerra e não existia naquelas redondezas quem pudesse se comparar a ela em maestria nesta arte.
 
Ogum come vários tipos de comida, mas, tem uma predileção por cará, feijão preto, acaçá, feijão fradinho torrado, padê (apenas para algumas qualidades) bode, galos, galinha de angola, pombos, entre outros.
 
É o Senhor absoluto dos caminhos das estradas e ao trilharmos por eles devemos sempre nos lembrarmos de lhe pedir a benção e a permissão para ali estarmos. Algumas qualidades, ainda governam as encruzilhadas e outros as encruzilhadas próximas a cemitérios. É portanto um Orixá arredio e que não conhece muito a palavra perdão. Em sua filosofia, sempre temos uma fração de segundo para pensarmos antes de agir, assim sendo, por que arrependimento? Afinal tudo termina sendo premeditado.
 
Louvemos pois, a Ogum. Saibamos respeitar este que tanto nos deu, e tão pouco nos pede. Saibamos honrar seus feitos, e assim, honremos tudo que Ele representa, afinal, que seria de nós sem a tecnologia, sem a modernidade?
 
Ogum, aquele que vence demanda em qualquer lugar. Aquele que sentou praça na cavalaria. O que deu combate às tropas inimigas quando os negros o invocaram suplicando sua proteção na guerra.
 
Ogum, aquele que mesmo tendo água em casa se banha com sangue. Ogum que recebe caramujos e come carneiros. Senhor do progresso e dos caminhos, os mesmos caminhos que andamos na vida e depois dela.
 
Pai Ogum, que cuide de nós neste novo ano que se inicia. Que nos mostre o caminho do progresso e da ascensão, que nos livre das pragas, dos olhos grandes, dos feitiços e das perseguições.  Tende misericórdia de nós Ogum. Se digne a olhar por nós que nada somos. Abençoe-nos Pai.
 
Ogum, que fostes esposo de Ogunté, que és o verdadeiro protetor dos ferreiros, tende misericórdia de nós, nos cubra, nos ampare e nos defenda hoje e sempre.
 
Assim seja.

segunda-feira, dezembro 10, 2012

OFERENDA PARA QUE OGUM LHE AJUDE EM 2013

 
Como 2013 será um ano regido por Ogum, Ifá, traz essa obrigação para todos os que desejarem faze-la pedindo para que o Grande Guerreiro, abra seus caminhos, trazendo paz, saúde, prosperidade, emprego, sorte nos negócios, enfim, tudo de bom que puder desejar para o próximo ano.
 
01 prato de barro
 01 cará
 ½ kg de milho de galinha bem escolhido, sem impureza alguma.
 Dendê
Mel de abelhas
01 vela comum branca
07 moedas
01 copo com água
01 bandeira branca pequena
Lave bem o cará e depois de seco, unte com dendê e coloque para assar em brasa de carvão, sem deixar queimar. Depois de assado, deixe esfriando e vá torrando o milho de galinha, sem lavar. Depois que o milho e o cará estiverem bem frios, descasque o cará e unte-o com dendê. Coloque seus pedidos dentro do prato de barro e por cima o milho torrado e frio. Após, coloque por cima do milho, o cará e crave nele as sete moedas correntes e regre com dendê e mel de abelhas e por último crave a bandeirinha branca.
Leve tudo em uma linha de trem ou estrada de chão reta, entregue para Ogum com a vela e o copo com água. Bata paó e faça seus pedidos para o ano novo.
Essa obrigação deve ser feita no dia 31 de Dezembro.

Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.

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