São Paulo – No dia 8 de maio, o presidente do HSBC, André Brandão, afirmou que o banco não sairia do Brasil e que ele estava 100% comprometido em melhorar as condições dos seus funcionários. A declaração ocorreu durante visita do executivo à sede da Contraf-CUT.


Sete meses depois, a realidade dos bancários do HSBC não condiz com a expressada pelo banqueiro. O Natal dos funcionários do banco inglês promete ser magro, uma vez que nem todos os trabalhadores foram contemplados com o programa próprio de remuneração, ainda que o lucro líquido do banco no primeiro semestre de 2012 tenha sido de R$ 602,5 milhões. “Só não foi maior porque o banco elevou suas despesas com PDD em 63,4%, atingindo montante de R$ 1,8 bilhão, o que equivale a três vezes o lucro líquido do período”, explica a diretora do Sindicato Liliane Fiuza.

Para deixar a população por dentro da situação dos trabalhadores do HSBC, o Sindicato promove um protesto com o objetivo de lembrar os clientes que as agências abarrotadas, com filas enormes e demora no atendimento são resultado da prática de demissões da direção do banco. O ato ocorre nesta quinta-feira 20 em diversas agências da região da Paulista.

Nada a comemorar – O ano foi repleto de protestos contra a direção do HSBC, seja por conta da reestruturação no Centro Administrativo São Paulo (Casp) ou em função das demissões após o fim da estabilidade de trabalhadores afastados por motivos de saúde. Ou ainda devido à baixa PLR e diversas vezes por causa dos cortes no mundo e no Brasil, uma vez que, de junho de 2011 a junho de 2012, a instituição financeira cortou 1.836 postos de trabalho no Brasil, segundo o próprio balanço do banco. Somente no início de dezembro, foram mais 40 dispensas.

Segundo Liliane, há grande indignação dos funcionários diante do que foi pago em outubro a título de PLR. “Apesar de o Brasil ser uma das maiores fontes de lucro do HSBC, o banco inglês pagou uma das menores PLRs do sistema financeiro nacional por conta do provisionamento tão alto.”

E a novela continuou com a demora do banco em divulgar os valores de PPR (o programa próprio de resultados), e nem todos os funcionários foram contemplados. “E para fechar o ano, o banco nos premiou com demissões. Queremos mais respeito, queremos negociar”, conclui Liliane.

(Gisele Coutinho, SEEB/SP)

 

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