O Santander se recusou na última quinta-feira (22) a negociar emprego, fim da rotatividade e Plano de Cargos e Salários (PCS), durante reunião do Comitê de Relações Trabalhistas (CRT), em São Paulo. Outras reivindicações discutidas, como a melhoria das condições de trabalho, a redução das taxas de juros e a isenção de tarifas para funcionários e aposentados, também não trouxeram avanços, frustrando ainda mais os dirigentes da Contraf-CUT, das federações e dos sindicatos, incluindo o de Brasília.

“A empresa cobra dos bancários serviços, metas e agilidade durante todo o ano, mas na hora de dar sua contrapartida foge da responsabilidade. Entre as reivindicações dos trabalhadores, a contratação de mais bancários é uma das mais importantes, uma vez que o banco abriu 90 agências em todo o país e criou somente 202 novas vagas”, ressalta Rosane Alaby, secretária de Imprensa do Sindicato e funcionária do Santander. Rosane representou os bancários de Brasília na negociação com o banco em São Paulo.

Já o secretário de Imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr, afirmou que o Santander tem que trazer soluções para as demandas dos funcionários, sendo que muitas delas se arrastam desde a privatização do Banespa, que completou 12 anos na terça-feira (20). “Precisamos combinar negociação com mobilização para pressionar o banco, a fim de avançar”, frisou.

Emprego

Na Campanha Nacional dos Bancários 2012, a Fenaban não aceitou as propostas de emprego da categoria, remetendo o debate banco a banco. Enquanto a Caixa Econômica Federal negociou com as entidades sindicais a criação de 9 mil empregos em 2013, o Santander se negou a discutir as demandas, alegando que não é tema para banco privado.

O movimento sindical rebateu a posição do Santander e destacou que os bancos privados deveriam seguir as boas práticas de responsabilidade social do mercado e negociar também contratações. Nos últimos seis meses, entre abril e setembro, o Santander criou apenas 67 empregos, segundo levantamento do Dieese.

O fim da rotatividade também foi rejeitado pelo banco. Pesquisa do Emprego Bancário, feita pela Contraf-CUT e Dieese, mostra que no primeiro semestre deste ano a remuneração média dos admitidos foi de R$ 2.708,70 e a dos desligados de R$ 4.193,22, o que significa uma redução de 35,40%. Já na economia brasileira, como um todo, a diferença é em média 7%.

PCS

As entidades sindicais também reivindicaram a criação de um PCS, apresentando a mesma reivindicação feita pela categoria na Campanha 2012 para a Fenaban que, assim como o emprego, havia sido encaminhada para negociação banco a banco. O Santander, no entanto, recusou as demandas, alegando que as propostas de PCS não são para os bancos privados e sim para os públicos.

Condições de trabalho

Os bancários cobraram melhores condições de trabalho. Uma demanda novamente discutida foi o fim das metas para caixas. O banco já reconheceu em reuniões anteriores que os caixas não têm metas, nem serão avaliados pela venda de produtos e ficou de entregar cópia de orientação interna aos gestores do banco.

Os representantes do Santander disseram que esse comunicado ainda está sendo elaborado, mas reiteraram que “o caixa não pode ser punido em razão de vender ou não vender”. Para o banco, “os caixas devem ser avaliados pela sua função preponderante, que é o atendimento aos clientes”.

Outras propostas das entidades sindicais serão discutidas em reunião do grupo de trabalho sobre condições de trabalho, agendada para o dia 9 janeiro.

Ranking individual

Os bancários cobraram o cumprimento da cláusula 35ª da convenção coletiva, pela qual “no monitoramento de resultados, os bancos não exporão, publicamente, o ranking individual de seus empregados”. Para os dirigentes sindicais, essa conquista que visa combater o assédio moral está sendo desrespeitada pelo Santander. 

Os representantes sindicais afirmam que o rankeamento ainda é prática rotineira no banco. São várias denúncias de funcionários mal avaliados que são obrigados a participar de reuniões específicas, onde recebem orientações de colegas bem avaliados, a fim de que os objetivos sejam atingidos.

O banco disse que já fez alterações no sistema e que os gestores têm sido orientados para não expor publicamente o ranking dos funcionários. 

Súmula 124 do TST

A representação sindical reivindicou a aplicação imediata da Súmula 124, de 14.09.2012, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que considera o sábado como dia de descanso remunerado dos bancários, impactando, assim, no cálculo de pagamento das horas extras. O banco disse que aguarda um posicionamento da Fenaban.

Pessoas com deficiência

Os dirigentes sindicais cobraram a marcação de reunião específica para tratar das demandas dos funcionários com deficiência (PDD). Foi indicada a data de 22 ou 24 de janeiro, às 14h, a ser confirmada pelo banco. 

Manutenção de assistência médica para aposentados 

Os bancários reivindicaram a manutenção do plano de saúde aos aposentados do Santander nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozavam na ativa, mediante o pagamento de mensalidade no valor que era descontado no holerite (contracheque).

O Santander disse que aguarda análise da norma da ANS que regulamenta o direito previsto na lei nº 9.656, de 1998, que mantém o plano de saúde para aposentados mediante custeio integral, bem como para demitidos por dois anos. O banco ficou de agendar uma reunião para discutir o assunto. 

Acesso ao portal RH para trabalhadores afastados e licenciados

Os dirigentes sindicais reivindicaram melhorias no acesso externo ao portal RH. Há vários problemas, como a impossibilidade de agendamento de férias. O banco reconheceu que o sistema impede essa solicitação, orientando que por enquanto os funcionários com frequência livre devem enviar e-mail para rhferias@santander.com.br informando nome, matrícula funcional, data de início, quantidade de dias, com ou sem abono pecuniário, etc. O banco se comprometeu em agendar uma reunião para fazer nova apresentação do portal.

Calendário das próximas reuniões com Santander

. 5 de dezembro – Grupo de Trabalho do SantanderPrevi
. 13 de dezembro – Grupo de Trabalho do Call Center
. 9 de janeiro – Fórum de Saúde e Condições de Trabalho
. 9 de janeiro – Grupo de Trabalho de Condições de Trabalho
. 23 de janeiro – Reunião sobre Igualdade de Oportunidades

Da Redação, com informações da Contraf-CUT