O jornalista e comentarista econômico do Jornal da Band, Joelmir Beting, de 75 anos, está internado em estado de coma na UTI do hospital Albert Einstein, após uma tomografia detectar na manhã de ontem a ocorrência de um AVC hemorrágico.

Nascido Joelmir José Beting, na cidade de Tambaú, interior de São Paulo, o jornalista tinha origem humilde. Filho de uma família de imigrantes alemães originários da Westphalia, fronteira com a Holanda, ele foi bóia-fria, entregador de bananas, coroinha e secretário do padre Donizetti Tavares de Lima (1890-1961). A conselho do guru religioso, mudou-se aos 19 anos para a capital paulista a fim de estudar Sociologia na Universidade de São Paulo. Fez a faculdade na mesma turma de Ruth Cardoso e Francisco Weffort.

Em 1957, ainda na faculdade, iniciou a carreira jornalística como repórter esportivo nos jornais O Esporte e Diário Popular. Trabalhou também na rádio Panamericana, que anos depois se tornaria a Jovem Pan (SP). Em 1962, já formado sociólogo, mudou de área, passando para o jornalismo econômico, inicialmente na redação de estudos de uma empresa de consultoria.

Em 1966, é contratado pela Folha de São Paulo para lançar a editoria de Automóveis, tornando-se dois anos depois editor de Economia do mesmo jornal, lançando uma coluna diária a partir de 1970.

Em 7 de janeiro de 1970, lançou sua coluna diária no jornal, publicada também em quase 50 jornais brasileiros. A coluna tornou-se célebre por desmistificar a economia numa época de inflação astronômica e reiteradas medidas desastradas do governo. É de lá que nasceram alguns dos bordões de Joelmir, como “quem não deve não tem” e “na prática, a teoria é outra”. Em 1991, transferiu-se para O Estado de S.Paulo (SP), onde sua coluna diária continuou sendo publicada, ininterruptamente, até 30 de janeiro de 2004.

“A coluna diária foi meu pau-da-barraca profissional”, escreveu ele em seu site. “Com ela, desbravei o economês, vulgarizei a informação econômica, fui chamado nos meios acadêmicos enciumados de ‘Chacrinha da Economia’, virei patrono e paraninfo de 157 turmas de formandos em Economia, Administração, Engenharia, Agronomia, Direito – bem mais que Dom Helder, Dom Evaristo, Tristão de Athayde, Chateaubriand, Juscelino…”

No rádio, além da Jovem Pan, passou por Gazeta (SP), Bandeirantes (SP) e CBN (SP). Na TV, trabalhou na Gazeta (SP), Record (SP), Bandeirantes (SP) e Globo (SP) – nesta última, de agosto de 1985 até julho de 2003 –, passando pelo Espaço Aberto, na Globo News, e de volta para a Bandeirantes, em março de 2004. Desde que retornou à emissora, participa diariamente do Jornal da Band e do Primeiro Jornal. Foi âncora do Canal Livre, apresentado aos domingos, e fez comentários diários no canal BandNews, além dos programas Jornal Gente e Três Tempos, na rádio Bandeirantes.

Publicou os livros “Na Prática a Teoria é Outra” (Impress, 1973) e “Os Juros Subversivos” (Brasiliense, 1985). Em coautoria com o cardeal Paulo Evaristo Arns e João Pedro Stédile, lançou o livro “Igreja, Classe Trabalhadora e Democracia” (Paulinas, 1984). Além disso, escreveu dezenas de ensaios para revistas semanais, como a Veja (SP). Desde 2000, mantinha seu próprio site na internet, dedicado à análise macroeconômica. Também realizava palestras em empresas, convenções, simpósios, congressos e seminários, onde compartilhava sua experiência.

(Portal Primeira Edição)