As cores, sons e cheiros das celebrações da umbanda ecoaram no Centro de Fortaleza na manhã de ontem, quando se comemora o Dia Nacional da Umbanda. A data foi instituída pela presidente Dilma Rousseff em maio deste ano, por isso, essa é a primeira vez que o dia 15 de novembro é destinado à celebração da religião brasileira, fundada em 1908.  

Segundo Leno Farias, coordenador estadual da Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde (Reafro), o momento é um marco para o movimento, pois as pessoas saem dos terreiros para as ruas como forma de valorizar as tradições afrobrasileiras e buscar o respeito. “É uma forma de expandir as fronteiras”, opinou Leno.

Afirmação

Mãe Mocinha de Iansã, como Maria Perpétua Meneses é conhecida, está na umbanda há mais de 50 anos e possui um centro no bairro Cristo Redentor. Lembrando das experiências ao longo da vida, ela rememora o desrespeito, muitas vezes violento, que sofriam todos aqueles que saíssem às ruas com suas roupas brancas e guias ou que manifestassem a religião.  

“Anda existe muito preconceito, mas temos que passar por cima dessa intolerância religiosa. É uma luta árdua que nós, os mais antigos, travamos e os que chegam agora também. Lutamos muito para estar aqui, nesse local, de branco, com as nossas guias e atabaques”, comentou.

Ontem, no Parque da Liberdade, conhecida como Cidade da Criança, no Centro de Fortaleza, ela e outras mães e pais de santo, assim como frequentadores dos terreiros, se reuniram em um momento de confraternização. E os sons dos tambores, as vozes que entoavam as músicas e os movimentos chamaram a atenção dos poucos que circulavam no local no feriado.

Edileuza da Silva mora no Centro e parou para observar a celebração. “Eu não acredito, mas acho tão bonito as danças e músicas. É importante respeitar o outro”, opinou.

Para o coordenador especial das Políticas de Igualdade Racial da Secretaria do Desenvolvimento Humano (SDH) de Fortaleza, Luiz Bernardo, a instituição da data e o momento de reunião dos centros de umbanda refletem a conquista do povo que se organiza para ter o reconhecimento.

Ele lembrou que a umbanda, em sua longa história, viveu, muitas vezes, escondida e marginalizada na sociedade. Algo que se torna possível de mudança com o primeiro passo de um processo de valorização, uma vez que é por meio do conhecimento que se ultrapassa os limites do preconceito, relacionado ao desrespeito. 

ENTENDA A NOTÍCIA

O 15 de novembro como o Dia Nacional da Umbanda foi instituído ,este ano, pela Lei 12.644. A religião tem como marca a união de elementos do cristianismo, do candomblé, do espiritismo e da pajelança indígena. 

Contatos da Reafro/CE

Leno Farias: lenofarias.redeterreiro@gmail.com

Telefones: 8122 0297 e 9105 1765 

A Reafro

A Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde (Reafro) foi criada em 2003. Em 2007, surgiu o núcleo no Ceará. 

A Reafro possui 32 núcleos e representação em 21 estados do País. 

A Rede articula adeptos da tradição religiosa afro-brasileira, lideranças do movimento negro, gestores e profissionais de saúde, pesquisadores e organizações não-governamentais. 

Como o terreiro é considerado um espaço de troca de saberes, acolhimentos e aconselhamento, muitos estão envolvidos em campanhas que visam a promoção da saúde. 

A valorização das tradições e o combate a todos os tipos de preconceito também são objetivos das Reafro. 

O núcleo cearense da Reafro possui parcerias com secretarias relacionadas à saúde, educação e promoção da igualdade racial.

 (Samaisa dos Anjos, O Povo Online)