Bruno Flamengo x Eliza Samudio: Notícias do caso e do julgamento foram destaques no Fantástico, confira! – Está marcado para daqui a uma semana o início do julgamento do goleiro Bruno, acusado de ordenar o assassinato da ex-amante Eliza Samúdio, em 2010. Outras quatro pessoas ligadas ao caso também serão julgadas. O Fantástico conseguiu cenas exclusivas dos acusados no momento em que eles apresentavam suas versões para o crime.

E mais: botamos lado a lado os responsáveis pela acusação e defesa do bruno, que anteciparam os argumentos que vão usar diante do júri popular.

“Foi você que salvou a vida do Bruninho?”, perguntou a juíza.

“Excelência, em momento algum a vida dele esteve em perigo, ou da Eliza. Eles estavam sob meus cuidados”, declarou Bruno.

Bruninho é o filho de Eliza e do goleiro Bruno, ex-atleta do Flamengo. O Fantástico teve acesso a todos os depoimentos prestados à Justiça pelos principais acusados de sequestrar e matar Eliza Samúdio, em junho de 2010.

Os interrogatórios, conduzidos pela juíza Marixa Rodrigues, aconteceram em novembro daquele ano. Somados, têm mais de 30 horas.

Nossas equipes também obtiveram a íntegra do processo. Mais de dez mil páginas. Segundo as investigações, há provas concretas de que o crime teve um mandante: o goleiro Bruno.

“Nasceu uma história de homicídio. É ficção”, afirma Rui Pimenta, advogado de Bruno.

“Ficção não cabe dentro do processo. A dona Sônia, mãe de Eliza, está cobrando, doutor Rui, os ossos da moça. Cadê os ossos da moça?”, indaga José Arteiro, advogado da família de Eliza Samúdio.

Como será a disputa no tribunal? Antecipando o confronto, o Fantástico convidou o defensor de Bruno e o advogado da família de Eliza para um debate.

“Não houve esse crime. Esse crime vai ser todo reestruturado, analisado no tribunal do júri”, diz Rui Pimenta.

“Dizer que ele não mandou matar é brincadeira. Por que o senhor não manda seu cliente contar o caso? Explique por que ele queria matar a criança”, declara José Arteiro.

“Nesses fatos todos, pode estar certo que uma grande injustiça já foi perpetuada”, diz Rui.

E uma revelação: Bruno ainda sonha com a volta aos campos, e não só no Flamengo, mas na Seleção, na Copa de 2014.

O Fantástico mostra os detalhes que você nunca viu. O que aconteceu com Eliza, segundo as versões da acusação e da defesa.

Em maio de 2009, Eliza Samúdio – então com 24 anos – ficou grávida de Bruno. Ela já tinha participado de filmes pornográficos e estava desempregada. Segundo a acusação, o goleiro ordenou que Eliza abortasse.

Nessa época, Eliza acusou Bruno de agredi-la e fazer ameaças. Recentemente, ele foi condenado por esses crimes a um ano e dois meses. Como está preso há mais de dois anos, essa pena, para a Justiça, já está cumprida.

Na frente da juíza, Bruno se defendeu. “Em momento algum, eu cheguei pra ela e falei: ‘Olha, Eliza, você tem que abortar’”, disse o goleiro.

Bruninho – o filho de Eliza e de Bruno – nasceu em fevereiro de 2010. A mãe foi à Justiça pedir o reconhecimento da paternidade e o pagamento de pensão alimentícia.

Segundo a acusação, a data fundamental nessa história é 4 de junho de 2010. Nesse dia – segundo o Ministério Público – Bruno mandou que Eliza e o filho fossem sequestrados, no Rio de Janeiro. As investigações mostram que esse sequestro foi cometido por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e por um primo do goleiro, então menor de idade.

No interrogatório, Bruno disse acreditar na inocência de Macarrão. E chegou a chorar quando falou do homem que era o seu braço direito. “Quando tinha algum problema, ele mesmo que resolvia”, contou Bruno.

À polícia, o menor disse que, logo no início do sequestro, ainda dentro da Land Rover de Bruno, deu três coronhadas na cabeça de Eliza. Exames de DNA revelaram que havia sangue dela no piso e no banco do passageiro. Também foi descoberto sangue do menor no carro.

Na sequência, Eliza e a criança foram deixadas na casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. O goleiro estava concentrado em um hotel para a próxima partida do Flamengo. É nesse momento que aparece Fernanda Gomes de Castro, uma outra namorada de Bruno. À Justiça, ela disse que foi chamada por Macarrão para cuidar do bebê. E que não viu nenhum machucado em Eliza Samúdio.

No depoimento de Fernanda, que você vê agora pela primeira vez, há um ponto importante. Eliza teria dito a Fernanda que Macarrão tinha oferecido um apartamento a ela, em Belo Horizonte, e que, por isso, Eliza viajaria no dia seguinte para Minas.

“Ela ia passar a semana pra procurar o apartamento junto com o Macarrão e com o Bruno”, contou Fernanda.

Fernanda também falou que Eliza estava cheia de planos. “O Macarrão perguntou se ela pretendia ainda fazer esse tipo de filme que ela tinha feito. Ela falou que não, que queria mudar de vida e que o filho dela era a razão da vida dela”, declarou Fernanda.

Dia 5 de junho, um dia de sequestro. Depois de uma derrota de 2 a 1 para o Goiás, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, Bruno voltou para casa, no Recreio dos Bandeirantes, e se encontrou com Eliza. “Ela dizia que estava com muita dor de cabeça. Mas sangramento na cabeça eu não vi”, diz Bruno.

Segundo a acusação, a proposta do apartamento foi uma armadilha para que Eliza viajasse sem medo para Minas. No interrogatório, Bruno não mencionou esse suposto imóvel. Contou outra história: que ela pediu R$ 50 mil para pagar dívidas e que ele concordou em dar R$ 30 mil. “Eu falei: ‘Vamos fazer o seguinte: você fica aqui no Rio de Janeiro, eu te deposito esse dinheiro e fica tudo certo”, declarou Bruno.

A versão de Bruno é que ele estava com viagem marcada para Minas e Eliza insistiu em ir junto. “Ela falou para mim: ‘Não, eu não confio em você. Eu viajo e pego o dinheiro’. Foi quando ela decidiu vir a Belo Horizonte, eu não a convide”, disse o goleiro.

Na mesma noite de 5 de junho, Bruno e a namorada, Fernanda, viajaram para Minas em um carro de luxo: uma BMW emprestada por um amigo do goleiro. Na Land Rover foram Eliza; o filho dela, então com quatro meses; Macarrão e o menor de idade, primo de Bruno.

No dia seguinte, todos chegaram ao sítio do goleiro, em um condomínio em Esmeraldas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O Ministério Público diz que Eliza e o filho foram mantidos reféns, ficando parte do tempo trancados no quarto. E que havia um revezamento na vigilância entre o goleiro Bruno, Macarrão, Fernanda, o menor de idade e Sérgio Rosa Salles – outro primo de Bruno, que morava na área.

Diante da juíza, Bruno negou o sequestro. “Eu nunca vi um cárcere privado com a porta aberta, a mulher andando para lá e para cá. Ela ficou super à vontade, como qualquer outra pessoa ficaria”, disse Bruno.

Os outros acusados têm versões parecidas sobre o tempo que Eliza passou no sítio. Por exemplo: Dayanne do Carmo Souza, a ex-mulher de Bruno, disse ter ido ao local no dia 9 de junho e conversado normalmente com Eliza.

“Ela respondeu que tinha vindo resolver uns problemas com o Bruno”, disse Dayanne.

“Ela fez algum comentário se tinha sido agredida nesse dia?”, perguntou a juíza.

“Não. Eu cheguei a perguntar para ela e ela disse que não apanhou nem nada. Inclusive, ela tinha um machucado no dedo dela, e eu perguntei o que tinha sido e ela tinha dito que tinha machucado o dedo na porta”, respondeu Dayanne.

Bruno alegou que no dia 9 deu os R$ 30 mil pra Eliza. “Tudo em nota de 50 e 100, excelência”, declarou o goleiro.

Eliza teria feito outro pedido: “Ela explicou que tinha que viajar a São Paulo para arcar com algumas despesas. Ela me perguntou se eu ficaria com o Bruninho por sete dias. Eu falei: ‘eu fico com ele sete dias’”, contou Bruno.

Dia 10 de junho de 2010, uma quinta-feira. Segundo o Ministério Público e a polícia, essa é a data da morte de Eliza, depois de seis dias de sequestro. Bruno nega. No depoimento, contou que, nesse dia, Eliza iria começar a viagem pra São Paulo. “Ela veio até mim, se despediu normalmente. O Macarrão deu uma carona e a deixou no ponto de táxi”, declarou.

“O Bruninho foi com eles?”, perguntou a juíza.

“Não, ficou comigo”, respondeu Bruno.

Neste ponto, há uma contradição. Sérgio Rosa Salles, o primo de Bruno, disse que Eliza levou o bebê. “Eu sei que saiu Eliza e o neném. Ficamos eu e o Bruno no sítio”, disse Sérgio.

De acordo com a acusação, dentro do carro que saiu do sítio, estavam quatro pessoas: Macarrão, o primo menor de Bruno, além de Eliza e o bebê.

À polícia, o menor de idade contou que todos não para um ponto de táxi, como disse Bruno, mas sim para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. A quebra do sigilo telefônico revelou cinco ligações entre Bola e Macarrão nesse dia. O menor relatou que em um dos cômodos da casa – que fica em Vespasiano, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte – Bola deu uma “gravata” em Eliza e Macarrão amarrou as mãos dela.

Segundo o menor, Macarrão ainda chutou Eliza e Bola a derrubou no chão, apertando o pescoço dela. “Morreu só a Eliza porque alguém se arrependeu de última hora e não quis matar a criança”, declarou José Arteiro, advogado da família de Eliza.

No depoimento à Justiça, Macarrão preferiu o silêncio. “Não vou responder, excelência”, disse ele.

Mas em uma entrevista ao Fantástico, em julho de 2011, ele mencionou esse tal ponto de táxi. “Eu a deixei no ponto de táxi e já arranquei com o carro. Eu estava muito atrasado”, contou Macarrão.

O menor, primo de Bruno, voltou atrás nas acusações. Disse que foi pressionado pelos policiais. Segundo a corregedoria da Polícia Civil, foi instaurado inquérito para apurar essas supostas pressões, mas nada foi comprovado.

O menor também falou à polícia que Eliza tinha sido esquartejada e que viu os cachorros de bola comerem a mão dela. Mas não foi encontrada nenhuma prova disso. Até hoje, não se sabe o que aconteceu com o corpo. Nem mesmo se existe um corpo.

O Fantástico antecipou o debate que deve acontecer entre dois advogados muito conhecidos em Minas Gerais. Eles vão ficar frente a frente durante o julgamento do ex-goleiro Bruno. Um vai acusar, o outro vai defender.

Logo, surge a primeira discussão: o advogado de Bruno diz que nem assassinato houve. “Não se encontrou fio de cabelo, não se encontrou nada que pudesse presumir, pelo menos, ter ali, naquele palco, havido um homicídio”, diz Rui Pimenta.

“O certo é que ela está desaparecida e ela morreu. Eu quero lembrar o doutor Rui que não é necessário ter o cadáver”, rebate José Arteiro, advogado da família de Eliza.

Ao decidir que os acusados devem ir a júri popular, a juíza do caso escreveu: “Embora, até a presente data, não tenha sido encontrado o corpo de Eliza Samúdio, a materialidade do homicídio é suficientemente indicada pelos elementos de prova que constam no processo”.

“Você me dá a oportunidade de responder por que não acharam nenhum fio de cabelo: porque o bola é matador profissional”, diz José Arteiro, advogado da família de Eliza.

“Me dá um fio de cabelo, um pingo de sangue, um esmalte, uma coisa qualquer pra presumir que ela estivesse naquele local naquele dia”, rebate o advogado de Bruno.

Na sexta-feira (2), a defesa lançou mais uma versão para o caso. Apresentou uma carta, dizendo que ela foi escrita por um ex-companheiro da mãe de Bruno. Esse homem estaria preso em Governador Valadares, Minas.

No texto, o presidiário afirma que, em março de 2010, ou seja, três meses antes de ela ser supostamente sequestrada, teria ajudado Eliza a obter um passaporte falso; e que, em maio de 2010, ela teria conseguido um documento de permanência, também falso, em um país vizinho.

Segundo o advogado de Bruno, o presidiário depois contou, pessoalmente, a um outro defensor do goleiro, que esse país seria a Bolívia; e que Eliza não teria morrido e sim viajado de lá para a Europa, com nome falso. “Não existe a comprovação da morte. E se ela não morreu, está viva. Ela queria uma ascensão pornográfica. Existe uma teoria de que está em um país do Leste Europeu e que está fazendo a vida dela lá”, declara Rui Pimenta.

“Se ele for apresentar isso no tribunal, vai ser derrotado fragorosamente. Quem mandou matar foi o goleiro Bruno. Mandou um covarde que se chama Bola. O Bruno diz que deu R$ 30 mil a essa mulher, mas esses R$ 30 mil eram para o Bola”, diz José Arteiro.

Na frente da juíza do caso, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, chegou a chorar. Criticou a investigação da polícia e negou as acusações.

“O senhor é inocente?”, perguntou a juíza.

“Sim, senhora”, respondeu Bola.

“Da vida pessoal e da participação de Marcos Aparecido, podemos resumir em uma única palavra: não tem nenhuma ligação com esse crime”, declara Fernando Magalhães, advogado de Bola.

E o que aconteceu com o bebê, depois do suposto assassinato de Eliza? De acordo com a acusação, Macarrão e o menor voltaram para o sítio com a criança e conversaram com Bruno. Sérgio Rosa Salles, primo de Bruno, disse ter visto a cena.

“Quanto tempo o Bruno ficou conversando com os meninos?”, perguntou a juíza.

“Cerca de uns dez minutinhos, mais ou menos”, respondeu Sérgio.

“Que explicação deu para ter voltado para o sítio só com o bebê da Eliza?”, questionou a juíza.

“Para mim, nenhuma”, disse Sérgio.

Segundo o Ministério Público, Bruno, Macarrão, o menor e Sérgio chegaram a queimar objetos de Eliza e do bebê, na tentativa de apagar vestígios do crime.

Quinze dias depois do suposto assassinato, a polícia encontrou o bebê de Eliza em uma casa em Ribeirão das Neves, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

E como Bruninho vive hoje? O Fantástico tem a resposta. E também vamos mostrar como estão os parentes de Bruno, às vésperas do julgamento.

Encontramos a família de Bruno em uma casa, em um bairro pobre de Belo Horizonte. Um presente do ex-goleiro para a avó, Stela de Souza, de 81 anos de idade. A avó, que criou Bruno como um filho, não irá ao julgamento. Diz que tem medo de não conseguir controlar a emoção.

“A gente fica com medo. Talvez ele pode ser condenado, talvez absolvido, a gente não sabe. Eu acho que ele não teria coragem de fazer isso, não”, diz a avó.

“De que Dona Stela?”, indaga o repórter.

“De fazer isso que eles estão falando. Que ele matou. Eu acho que não”, completa a avó.

Para os parentes, Bruno foi envolvido nessa trama misteriosa. “Eu fico numa tristeza danada dele ter deixado tudo cair, mas não por ele, mas sim pelas amizades também”, declara Creusa Aparecida, tia do goleiro.

“O que destruiu o sonho dele?”, pergunta o repórter.

“A bola. Ele falou ‘Tia, meu sonho, eu cheguei até onde eu estou, mas desceu tudo de novo porque eu não soube dar valor’”, lembra Creusa.

O primo Cláudio Rosa Santos está convencido de que o sofrimento tem data para acabar: o dia em que Bruno será inocentado. “Vou abrir o portão e falar assim: ‘seja bem vindo de novo’. É o que eu mais quero mesmo”, diz.

O Fantástico também veio a Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para saber da expectativa de quem está do outro lado dessa história.

É em um bairro da área rural que vive Sônia Moura, mãe de Eliza Samúdio, e o menino que teria sido o pivô do crime. Aos 2 anos e 8 meses, Bruninho – filho do ex-goleiro com Eliza, é uma criança extrovertida e adora jogar futebol. Tirado da mãe com poucos meses de vida, ele só conhece Eliza por fotos.

“Desde pequena que ela falava: ‘Mãe, um dia eu vou ter o meu filho e no dia em que eu tiver o meu filho, a senhora pode ter certeza que eu nunca vou abandoná-lo”, conta a mãe de Eliza.

Dona Sônia diz que não acredita na possibilidade da filha estar viva, tese que chegou a ser apresentada pela defesa dos réus. “Ela não está viva. Ela jamais deixaria o filho dela, tão pequenininho, indefeso e precisando do aconchego e dos braços dela. Não tenho ódio do Bruno, não guardo mágoa. Tenho dor, porque eu sei tanto sofrimento que ele causou para a minha filha. Tanto de sofrimento que este meu neto ainda tem pela vida dele, sabe? Não quero que ele tenha este sentimento de ódio, de revolta pelo pai dele, eu não quero isso”, diz dona Sônia.

“Mãe, você está chorando?”, pergunta Bruninho.

“Não, não estou. É um bichinho que entrou no olho da vovó”, responde Sônia Moura.

E como está a situação dos acusados de cometer crimes tão violentos? O menor, primo do goleiro Bruno, cumpriu medida socioeducativa e hoje, maior de idade, não deve mais nada à Justiça. Ele foi incluído no programa de proteção a testemunhas. No próximo dia 19, no Fórum de Contagem, Minas, está marcado o início do julgamento de cinco réus. Seriam seis, mas Sérgio Rosa Salles, também primo de Bruno, foi assassinado em agosto, perto da casa dele, em Belo Horizonte. Segundo a polícia, ele assediou uma mulher casada e sofreu retaliação. Dois suspeitos estão presos.

Dayanne vai a júri, acusada de participar do sequestro e cárcere privado de Bruninho. Já Fernanda responde por esses crimes e mais o sequestro e cárcere privado de Eliza.

“Essa acusação contra a senhora é verdadeira?”, indagou a juíza.

“Não, senhora”, respondeu Fernanda.

Dayanne e Fernanda esperam o julgamento em liberdade. Já Macarrão, Bola e Bruno estão presos. Pesam contra Macarrão e Bruno as seguintes acusações: sequestro e cárcere privado de Eliza e Bruninho. E assim como Bola, respondem também pelo homicídio e ocultação de cadáver de Eliza.

Os cinco réus vão entrar no plenário com escolta e vão se sentar juntos, ao lado do espaço reservado para os advogados de defesa.

“Quais argumentos o senhor vai usar para tentar convencer os jurados de que o Bruno é inocente?”, pergunta o repórter.

“Um deles é de que não houve o homicídio. E o segundo que, se houve, mesmo sem prova, o Bruno não foi responsável, nunca quis, nunca desejou, nunca pensou em uma coisa dessas”, responde Rui Pimenta, advogado de Bruno.

“O Bruno cometeu esse crime covarde, achando que era Deus. Tem muitas provas nos autos. Não adianta o doutor Rui querer correr da verdade”, diz José Arteiro, advogado da família de Eliza.

José Arteiro já participou de cerca de 2,6 mil júris. E o advogado de Bruno, Rui Pimenta, esteve em mais de mil. E é ele quem revela o grande sonho do ex-goleiro do Flamengo, que hoje tem 27 anos: estar na final da Copa do Mundo de 2014, no Maracanã, contra a Argentina.

“Vai terminar 0 a 0. Quem vai bater o pênalti? O maior jogador do mundo, Lionel Messi. E quem vai defender e dar o título para 200 milhões de brasileiros? Bruno. Esse é o grande sonho dele”, conta o advogado.

É piada, diz a acusação. “O Bruno não vai para Copa, não. Só se for para a de 3000,pPorque nessa ele não vai”, declara José Arteiro.

Bruno pode ser condenado a 41 anos de cadeia. A defesa garante que, no julgamento, daqui a uma semana, o goleiro vai manter o que disse nesse interrogatório.

“O senhor está disposto a declarar a verdade que sabe sobre os fatos?”, perguntou a juíza.

“Somente a verdade, excelência”, responde Bruno.

“O julgamento não encerra o seu sofrimento?”, pergunta o repórter para a mãe de Eliza Samúdio.

“Não encerra. Começo uma outra batalha: a busca pelos restos mortais da minha filha”, diz Sônia Moura.

(Portal Alagoinha Notícias)