Se reeleito, o presidente Barack Obama ainda terá muito a fazer para melhorar, como prometeu, a imagem dos EUA no mundo árabe. No entanto, o grupo tampouco espera algo melhor do rival dele nas urnas, o republicano Mitt Romney, visto como o herdeiro do controverso George W. Bush (2001-2009).

“As pessoas não estão impressionadas com Obama, mas também não estão com Romney”, afirma no Cairo o analista Issandr al Amrani, escritor do blog The Arabist.

A principal crítica feita ao presidente democrata é não ter traduzido em atos o famoso discurso de 2009 no Cairo, no qual prometia colocar fim à “desconfiança e à discórdia” entre Washington e os árabes, além de fazer avançar uma solução para o conflito israelo-palestino.

Estudo do Instituto Pew publicado em junho mostrou uma queda da popularidade de Obama em cinco países muçulmanos, entre eles o Egito, o mais populoso dos Estados árabes. Lá, o índice de popularidade de Obama caiu 13 pontos percentuais em apenas um ano.

“Conheci Obama em 2010 na Casa Branca e isso me deixou otimista”, afirma Gamal Eid, um advogado egípcio que dirige a Rede Árabe de Informação sobre Direitos Humanos. “Ele poderia ter defendido os direitos humanos nos países do Golfo, apoiado os palestinos, detido o apoio americano aos tiranos, mas nada disso aconteceu.”

O sentimento de desconfiança continua sendo forte, e violentas manifestações anti-EUA incendiaram a região em setembro, após a divulgação de um vídeo que satirizava o profeta Maomé, produzido nos EUA por um egípcio que é cristão copta.

Os círculos liberais também criticam Obama por não se interessar verdadeiramente por eles após a chamada Primavera Árabe, revoltas pró-democráticas que levaram islâmicos ao poder na Tunísia e no Egito, depois da queda dos regimes autocráticos.

“Obama é um bom orador, mas não fez nada de concreto”, diz Mahmud Ghozlan, funcionário de alto escalão da Irmandade Muçulmana egípcia, da qual procede o presidente Mohamed Mursi. No entanto, “Mitt Romney é como George W. Bush”, afirma.

São muitos os que veem Romney como “feito do mesmo molde que Bush”, cuja imagem está permanentemente manchada pela invasão do Iraque em 2003 e por sua declarada hostilidade em relação ao ex-dirigente palestino Yasser Arafat.

(Jornal Floripa Online)