Síntese das principais propostas dos candidatos às presidenciais norte-americanas, o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney, da economia à política externa, passando pelos impostos e assuntos sociais.

Economia

Obama defende estímulo económico direto do Governo, investindo na formação profissional e infraestruturas de transportes, telecomunicações ou tecnologias. Do seu plano para criação de emprego, American Jobs Act, passou pelo Congresso apenas uma extensão de benefícios fiscais para trabalhadores, ficando pelo caminho o financiamento federal aos estados e governos locais para contratar mais professores e reparar escolas.  
  
O «Plano de Cinco Pontos» de Romney para a retoma tem como ideia central «tirar o Governo do caminho» dos empresários que criam postos de trabalho, reduzindo impostos e regulação empresarial. O candidato republicano opõe-se mesmo a medidas de estímulo de curto prazo, que considera levarem apenas a mais endividamento, e à intervenção do Governo no mercado de habitação.

Impostos

Barack Obama propõe a extensão por um ano dos cortes de impostos da administração Bush, excluindo os grandes contribuintes. No caso de rendimentos superiores a 250 mil dólares (192 milhões de euros) as taxas subiriam, prevendo-se aumento da receita fiscal também taxando a 20% os ganhos de capital e eliminando deduções.   
  
A principal proposta de Mitt Romney é uma redução geral de 20% nas taxas, compensada pela eliminação de deduções e créditos fiscais, que o candidato republicano ainda não especificou, prometendo apenas poupar a classe média. Propõe ainda manter todos os cortes da administração Bush, incluindo para os maiores contribuintes, reduzir a carga fiscal das empresas, anular impostos sucessórios e outros, além das taxas sobre dividendos e juros para indivíduos com rendimentos até 100 mil dólares (76 mil euros). Mais polémico é o fim de benefícios fiscais para famílias de baixos rendimentos.

Finanças públicas

O atual Presidente norte-americano pretende nos próximos quatro anos reduzir a despesa do Governo federal de 24% para 22,5% do PIB, baixando o défice das contas públicas para 3%, sobretudo reduzindo os gastos na Defesa, que Mitt Romney quer aumentar.   
  
Num plano de oito a dez anos, a concluir num segundo mandato para que a redução de despesa não tenha um impacto “dramático” na economia, o candidato republicano é mais ambicioso, querendo diminuir para 20% do PIB a despesa governamental, com o maior corte no seguro público de saúde para os mais pobres (Medicaid).

Saúde e Segurança Social 

Obama remete alterações à Segurança Social para um “acordo abrangente” com os republicanos sobre o Orçamento federal. A reforma do sistema de saúde foi a que mais tempo consumiu à administração no primeiro mandato, e a sua implementação é prioritária para os próximos quatro anos.  
  
Mitt Romney propõe mais alterações, começando pelo aumento em dois anos da idade de reforma, atualmente em vias de subir para 67 anos e reduzindo benefícios mudando a forma de cálculo. Para a saúde, promete desde o início das primárias republicanas anular e substituir a reforma Obama por um sistema de “vales”, que podem ser usados na aquisição de seguros públicos ou privados. A idade de acesso ao plano de assistência médica para idosos subiria de 65 para 67 anos.

Imigração

Depois de ter falhado a reforma do sistema de imigração, prometida em 2008, Barack Obama vem agora acusar os republicanos de bloqueio e pedir mais quatro anos para concretizar o objetivo, que inclui a legalização de trabalhadores. A sua administração deportou um número recorde de ilegais, focando-se nos cadastrados, mas cessou a deportação de jovens que foram trazidos ilegalmente para o país pelos seus pais.  
  
Mitt Romney assumiu uma linha dura contra imigrantes ilegais, opondo-se a qualquer tipo de plano para a legalização destes e abrindo, como alternativa, a porta à “deportação voluntária” para os países de origem. Afirmou ainda querer erguer uma vedação de alta tecnologia na fronteira entre os Estados Unidos e o México e criar uma base de dados que os empregadores sejam obrigados a consultar antes de contratar alguém. Outra proposta vai no sentido de expandir o sistema de trabalho temporário para mão de obra sazonal.

Política externa

Barack Obama prevê concluir até 2014 a retirada das tropas norte-americanas no Afeganistão. Numa política claramente menos musculada do que a do seu antecessor George W. Bush, promete ainda apoiar as “primaveras árabes” e o processo de paz israelo-palestiniano.  
  
Romney e os republicanos têm frequentemente acusado Obama de ser demasiado brando com China e Rússia e de prosseguir uma política de sanções para o Irão que não tem detido os esforços nucleares. Tem-se mostrado mais aberto a um ataque preventivo contra Teerão. Em relação ao Médio Oriente, defende que Obama abandonou Israel, sugerindo que os Estados Unidos mudem a sua embaixada para a cidade de Jerusalém, sem mencionar apoio à criação de um Estado palestiniano.

Diário Digital/Lusa

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