Felipe Ventura

À medida que os celulares se expandem, os orelhões perdem cada vez mais sua relevância. Eles ainda tem sua utilidade, no entanto: em cidades afastadas, por exemplo, ou para quem está sem celular ou sem sinal. Mas será que um matagal numa área remota precisava de nove orelhões?

A Oi instalou nove orelhões em um matagal de Passa Sete (RS), próximo a uma torre de telefonia e longe do centro da cidade. E não explica porque escolheu esse local.

A operadora diz que precisava instalar mais orelhões devido a uma exigência da Anatel: toda cidade deve ter o mínimo de quatro telefones públicos para cada mil habitantes, e Passa Sete precisava de mais.

Então a Oi instalou mais. Colocou três orelhões próximo a um cemitério, outros três em frente a uma oficina mecânica – contra a vontade do dono – mais um na prefeitura, e nove no matagal.

Só que a cidade precisa de orelhões em outros lugares. A secretária municipal Rosani Rech diz ao G1: “As escolas não têm orelhões, o posto de saúde central também não, nem o comércio da cidade”.

Pelo que a Anatel diz, a regra não permite colocar orelhões em qualquer lugar só para atingir a meta. Eles devem ficar acessíveis à população, e não se deve caminhar mais de 300m para chegar a um.

E a história tem outro detalhe. Em agosto, a Oi foi punida pela Anatel a liberar o uso gratuito dos orelhões em 2.020 municípios – e Passa Sete está na lista. Até o final do ano, quem ligar neles para telefones fixos locais não pagaria nada. Só que, segundo o Zero Hora, nenhum orelhão da cidade faz essas ligações gratuitas. E mais: dos 20 aparelhos, já incluindo os novos, só cinco funcionam.

A Oi foi punida devido à precariedade do serviço oferecido em orelhões, mas parece que ainda não aprendeu a lição. Em nota à imprensa, a Oi promete que vai remanejar os orelhões “o mais brevemente possível”

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/zero-hora/2012/10/orelhes-instalados-meio-matagal-surpreende-moradores-passa-sete/4006

 

Anúncios