Por Altamiro Borges

Numa disputa mais apertada do que alardearam os institutos de pesquisa, ACM Neto venceu as eleições para a prefeitura de Salvador. O demo obteve 53,6% dos votos válidos, contra 46,4 do petista Nelson Pelegrino. A vitória representa o retorno do “carlismo”, da velha política dos coronéis, à capital baiana e está sendo festejada pela direita nativa. Ela é encarada como a tábua de salvação do DEM, o partido das oligarquias que estava caindo pelas tabelas e caminhava celeremente para a extinção.

A festança, porém, não garante a sobrevida da sigla. Os demos conquistaram duas prefeituras de capital – Aracaju, ainda no primeiro turno com João Alves, e agora em Salvador. ACM Neto administrará a terceira cidade com maior número de eleitores do país (1,9 milhão). Ele terá muita dor de cabeça para transformar a caótica capital baiana numa “vitrine do DEM”, como deseja o presidente da legenda, senador Agripino Maia. Pragmático, o demo tende a reduzir o seu ímpeto oposicionista e a compor com o governo federal.

Já o DEM continua a viver seu inferno astral. No computo geral, ele perdeu força nesta eleição. Em 2008, ele elegeu 496 prefeitos; agora, conquistou apenas 276 prefeituras (sem ainda considerar as cidades onde houve segundo turno). O DEM também perdeu 1.529 vereadores no país – um recorde entre as legendas que disputaram as eleições municipais. Em 2010, o partido já havia reduzido a sua bancada de deputados federais e senadores. Em 2011, ele sofreu um duro golpe com a formação do PSD de Gilberto Kassab.

O DEM também foi abalado com os escândalos envolvendo algumas das suas principais lideranças. O discurso da ética, que partia de políticos mais sujos do que pau de galinheiro, caiu por terra. O governador José Roberto Arruda foi preso no escândalo do “mensalão do Distrito Federal”. Ele chegou a ser cogitado para se o “vice-careca” de José Serra na eleição presidencial de 2010. Já o senador Demóstenes Torres, outro presidenciável dos demos, foi cassado por seu envolvimento com a máfia de Carlinhos Cachoeira.

Nada garante que a vitória de ACM Neto vai conseguir ressuscitar o combalido DEM. Há fortes boatos, inclusive, de que alguns demos pretendem migrar para o PMDB e para o PSDB no próximo ano – inclusive o novo prefeito de Salvador. O “carlismo” venceu na capital baiana – isto é fato e representa um grave retrocesso político. Já a sobrevivência dos demos não está garantida. A conferir!

(Correio do Brasil)