A ampla vantagem que o prefeito Eduardo Paes obteve nas urnas, com 64% dos votos, se refletiu também na eleição proporcional. A Câmara de Vereadores que assumirá em 2013 dá à base aliada do prefeito, desde já, 39 das 51 cadeiras. Na prática, a situação de Paes pode ser ainda mais confortável. Além de contar com 20 partidos na coligação vencedora, o alcaide tradicionalmente se beneficia de vereadores que formalmente são de oposição, mas votam com o governo. O prejuízo das urnas em 2012 é sentido principalmente por duas legendas em crise no estado: DEM e PSDB.

Depois do período em que Cesar Maia foi prefeito, o Democratas só encolheu. Entrou em 2008 com oito vereadores e termina 2012 com apenas quatro. Elegeu só três, e viu frustrada a esperança de ter em Maia um puxador de votos. O ex-prefeito entrou com 44 mil e sequer atingiu o cociente eleitoral, de 63 mil votos.

Cesar Maia tinha em sua candidatura uma aposta para salvar o partido e tentar ganhar musculatura para ter voz ativa em 2014. No mandato atual, o DEM perdeu quatro vereadores para a base aliada de Paes. A perda mais significativa foi Rosa Fernandes, a campeã de votos, com 68.000 votos, que preferiu migrar para se manter no grupo da situação.

A situação dos tucanos é igualmente delicada. O PSDB entrou com cinco cadeiras em 2008, das quais mantém apenas duas: Teresa Bergher e Andrea Gouveia Vieira. No meio do caminho, foram-se Luiz Antônio Guaraná e a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, ambos para o PMDB. Lucinha se elegeu deputada estadual em 2010 e trocou a Câmara pela Assembleia. Os tucanos, assim como o DEM, tiveram baixa votação em legenda. E emperraram também em candidaturas majoritárias que fizeram água: Otávio Leite (PSDB) terminou com 2%, pouco abaixo de Rodrigo Maia (DEM), com 2,9%.

Para o tucano, a eleição foi um sinal de alerta: Otávio teve, desta vez, 80.000 votos, menos que os 84.000 que o elegeram deputado federal. Os sobreviventes do PSDB são Teresa, reeleita com 27 mil votos, e Junior da Lucinha, filho da deputada estadual, com 31 mil, que contou com o apoio de Eduardo Paes em sua campanha. Para Teresa Bergher, ficou o recado de que nem sempre vale o partido sair com um candidato quando ele não é competitivo.

“Há que se levar em consideração o peso da máquina em beneficio dos candidatos da base do governo. Nossa campanha foi quase que franciscana em termos de apoio a vereador. Para a prefeitura também foi bem modesta. Só viabilizamos para os vereadores a gravação dos programas de TV, cartões e algumas plaquinhas”, disse Otávio, explicando a redução da bancada tucana na Câmara.

Em 2008, quando os tucanos se coligaram com o PV – partido por onde Fernando Gabeira saiu candidato ao governo do estado -, o PSDB conseguiu emplacar mais vereadores, principalmente pela força que a sigla teve naquele ano também com a presença ostensiva de Marina Silva no Rio. O preço de 12 anos sem candidaturas próprias revela-se, agora, alto demais para o partido.

As crises internas são outro desafio do PSDB fluminense e carioca. Andreia Gouveia Vieira, uma das parlamentares mais combatidas da cidade, chegou a se licenciar do partido para apoiar Marcelo Freixo. Ela não quis tentar o terceiro mandato, o que enfraqueceu, ainda mais, o tucanato na cidade. “Desde 2004 falei que só teria uma reeleição. Senão, a tendência é virar emprego. E aí as pessoas fazem qualquer coisa para preservar o mandato. Tentei ser prefeita, não consegui. O partido não quis. Mas agora não quero perder o conhecimento adquirido, o mundo que eu conheci”, afirma Andrea, que ainda não sabe qual será o seu futuro na política. Ela não pretende sair do partido, a não ser que o próprio PSDB não a queira por ter feito campanha a um candidato adversário. A única certeza é que passará oito meses fazendo cursos em Nova York. Na volta, tentará por em prática a ideia de ter um programa sobre o Rio de Janeiro em uma rádio.

O PV também encolheu na câmara. Em 2008, com o nome de Fernando Gabeira concorrendo à prefeitura, os verdes tiveram mais votos no partido e fizeram três vereadores. Agora, com Aspásia à frente da candidatura à prefeitura, só conseguiram emplacar um. Nesta eleição, o PMDB, de Eduardo Paes, fez cinco vereadores e o PSOL, de Marcelo Freixo, quatro.

“A oposição sai enfraquecida. Descobriu-se uma nova oposição representada pelo PSOL, que é mais radical e fechada, tem suas próprias limitações. E o outro espectro, aquele dos partidos de oposição e que já governaram a cidade (como é o caso do DEM, antigo PFL, e do PSDB) naufragou”, disse Andrea. O candidato de Anthony Garotinho à câmara, Fernando Peregrino, também não entrou. Os antigos caciques da cidade mostraram que perderam força ante a máquina peemedebista.

(Veja Online)