DESENVOLVIMENTO 

Nos chamados empreendimetos solidários germinam valores éticos, tais como: propriedade comum, cooperação solidária, democracia direta, autogestão. Trata-se de uma forma de organização na qual seus membros são donos dos instrumentos de trabalho e da produção. A economia solidária possibilita práticas que ajudam a mostrar que outro modo de vida é possível, com a prevalência de valores verdadeiramente humanos e ecológicos.

É uma crítica prática à cultura do individualismo possessivo, que se traduz na recusa aos valores que induzem a humanidade a obedecer cegamente à lógica econômica do dinheiro, e que compromete a existência biológica e social de bilhões de homens e mulheres.

Entramos no século XXI com a ocorrência de catástrofes devastadoras: exacerbação de fenômenos climáticos e geológicos (enchentes, secas, terremotos, tsunamis, tufões, ciclones, desertificação), que ceifaram centenas de milhares de vidas. Esses eventos e outros fatos são uma pequena demonstração da crescente importância que a questão ecológica vem ganhando no mundo.

No burburinho de tantas crises, surge um novo campo do conhecimento: a Economia Ecológica. Por mais óbvio que pareça, tem por pressuposto central a assertiva de que as condições materiais, sociais e culturais de existência da humanidade sempre estiveram incrustadas na natureza. O que talvez não seja óbvio é dizer que há limites biofísicos ao crescimento econômico, cujo ritmo pode comprometer a resiliência dos vários sistemas ecológicos.

Não foi à toa que um grupo de professores da Universidade Federal do Ceará tomou a iniciativa de elaborar uma proposta para a criação do Bacharelado em Economia Ecológica e do Desenvolvimento. Provavelmente, esta é uma iniciativa pioneira no âmbito das universidades federais, que surge no momento mesmo da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro este mês. Ao clamor das várias cúpulas e conferências nacionais e internacionais como a Rio +20 somam-se os conflitos sociais e ambientais decorrentes dos processos de degradação causados aos biomas brasileiros e a destruição das culturas indígenas e quilombolas.

Nesse sentido, foi realizado neste mês, em Beberibe, o encontro “La Nación Pachamama – unindo povos e tradições para escutar a voz da terra”, mais uma oportunidade de debater criticamente o modo usual de combate à pobreza, as agressões e destruição dos ecossistemas e as possibilidades de construir pontes para um futuro diferente e promissor. 

Aécio Alves de Oliveira

Professor do Departamento de Teoria Econômica da Universidade Federal do Ceará

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