Mariana Ghirello 

O jurista Celso Bandeira de Mello negou que tenha sido procurado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para interceder junto ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ayres Britto, no julgamento do processo mensalão. “Comigo Lula não falou uma palavra”, declarou ao Última Instância. Bandeira de Mello foi citado em uma reportagem da revista Veja, na qual o ex-presidente Lula é acusado de estar pressionando o Supremo para adiar o julgamento do mensalão. 

Na edição deste sábado (25/5), a reportagem relata um encontro entre o ministro Gilmar Mendes e o ex-presidente no escritório de advocacia do ex-ministro do STF, Nelson Jobim. Segundo Mendes, durante a conversa Lula teria sugerido para ele interceder pelo adiamento do julgamento do mensalão em troca de maior proteção ao ministro na CPMI do Cachoeira. Ainda conforme a revista, durante a instalação da Comissão da Verdade, Lula teria convidado o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, para tomar um vinho com ele e o amigo em comum Celso Bandeira de Mello. Segundo a revista, Lula queria falar com o presidente do STF para tentar adiar o julgamento.

Bandeira de Mello falou também que tentar interceder em um julgamento contraria os padrões éticos e que “jamais falaria com um ministro, ainda mais com um amigo [Ayres Britto]”.

O ex-ministro Nelson Jobim e o jurista Sepúlveda Pertence, negaram o conteúdo da reportagem.  O ministro Sepúlveda Pertence, em entrevista ao site Direito Global, negou que o presidente Lula tenha falado com ele a respeito do mensalão. “Ele sabe que eu não me prestaria a fazer pedido a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, nem ela aceitaria qualquer conversa minha a propósito”, disse o ex-ministro ao site. Pertence também lamentou a postura de Mendes de “dar declaração sobre conversas, reais ou não, que tenha tido com um ex-presidente da República”.

(ULTIMA INSTÂNCIA)

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