Um dia após as eleições parlamentares, o futuro político da Grécia segue totalmente indefinido. Com a fragmentação do Congresso, a formação de um novo governo esbarra em um impasse. Após o pleito, o presidente Karolos Papoulias deu um mandato de três dias para que o conservador Antonis Samaras, líder do partido que obteve mais votos na disputa, a ND (Nova Democracia), formasse uma nova coalizão. Nesta segunda-feira (07/05), no entanto, Samaras afirmou à agência Reuters, que não conseguirá formar um novo gabinete. “Fizemos tudo que podíamos. Foi impossível (formar um governo). Devolvi o mandato”, declarou.

Com isso, caberá à frente de esquerda Syriza – a grande supresa da eleição ao ficar em segundo lugar com 16,76% dos votos – a tentativa de chegar a um acordo político. A frente, porém, já indicou que não se unirá aos dois partidos que dominaram o cenário político grego nas últimas décadas. Contrários aos acordos impostos à Grécia pela UE (União Europeia), a Syriza afirmou que formará um governo de esquerda.

“Nós não vamos deixar entrar pela janela o que o povo chutou pela porta”, afirmou o líder da Syriza, Alexis Tsipras (foto ao lado), para quem os acordos com a UE não trouxeram a salvação, “mas causaram tragédia”.

ND, com 108 cadeiras no Parlamento, e Pasok (Movimento Socialista Pan-helênico), com 41 assentos, conseguiram apenas 32% dos votos, o que não lhes garante a maioria absoluta. Desta forma, os partidos precisam de pelo menos mais dois deputados para poder formar uma coalizão.

A partir de agora, ainda de acordo com a Reuters, Papoulias deverá se reunir com Tsipras nesta terça-feira para informar a Syriza sobre sua tarefa de formar uma coalizão com os demais partidos que tiveram representação assegurada pelas eleições.

A partir de agora, ainda de acordo com a Reuters, Papoulias deverá se reunir com Tsipras nesta terça-feira para informar a Syriza, que garantiu 52 cadeiras no Parlamento, sobre sua tarefa de formar uma coalizão com os demais partidos que tiveram representação assegurada pelas eleições.

O cenário, no entanto, não é dos melhores para a Syriza. Ainda que o líder do partido consiga promover uma coalizão com todos as siglas de esquerda, garantirá apenas 97 assentos no Parlamento, número insuficiente para formar um governo.

O principal apoio da Syriza nesta disputa poderia vir do Partido Comunista, que teve um bom desempenho na votação e garantiu 26 cadeiras no Parlamento. Já a Dimar (Esquerda Democrática) teve 19 representantes eleitos e também sinalizou com um acordo com a Coalizão de Esquerda.

Caso a Syriza não consiga formar um governo de coalizão, a tarefa passará ao Pasok. Se os sociais-democratas também não tiverem êxito na formação do governo, a alternativa será uma nova eleição.

Futuro incerto

A disputa deste domingo elegeu 300 deputados para o Parlamento do país e foi o primeiro pleito realizado após o aprofundamento da crise econômica que a Grécia enfrenta desde o final de 2009. A falta de maioria absoluta para qualquer um dos partidos, assim como as dificuldades aparentes na formação de uma nova coalizão, colocam em dúvida a continuidade das medidas de austeridade que têm castigado a população.

Nos últimos meses, as negociações de empréstimo financeiro e perdão de parte da dívida pública do país só puderam ser concluídas depois que o governo grego aceitou as rigorosas condições impostas pela Troika (UE, BCE e FMI), que incluem cortes nas pensões e aumento nos custos de serviços estatais básicos, como transporte, saúde e educação. Além disso, também determina a demissão de milhares de funcionários públicos.

Exigiu-se ainda que o peso dos direitos trabalhistas fosse reduzido em mais de 15% até 2014 e que o setor público sofresse cortes de 11,5 bilhões de euros. O desemprego no país chegou a um nível recorde e atingiu 21,8% da população no último mês de janeiro.

A situação fez com que a Grécia chegasse a um cenário onde um em cada três gregos vive abaixo do limite da pobreza. Além disso, o número de pessoas que não tem sequer onde morar já passa dos 20 mil, algo impensável para o país há poucos anos atrás. O cenário gerou revoltas da população que não aceita pagar o preço imposto pela restante da comunidade europeia. Durante as eleições, muitos candidatos defenderam a saída do país da Zona do Euro e o não pagamento das dívidas consideradas abusivas.

Entrevista com Tsipras

Em fevereiro de 2010, o portal português Esquerda.net realizou uma entrevista com Alexis Tsipras que, à época, já era líder da Syriza. Na ocasião, Tsipras falou, entre outros assuntos, sobre a crise econômica que atinge a Grécia e a Europa. Confira o vídeo com a entrevista legendada abaixo:

(ÓPERA MUNDI)

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