No dia 30 deste mês – para tristeza dos frequentadores -, serão realizadas as últimas sessões de cinema nas salas do Espaço Unibanco, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O fim da parceria com o Unibanco/Itaú é visto não só como mais um passo no esvaziamento do Dragão do Mar, mas como um novo golpe contra o Centro histórico de Fortaleza e contra a própria vida cultural da cidade. 

Como se sabe, a inauguração das duas salas do Espaço Unibanco de Cinema, em 1999 (um ano após a inauguração do equipamento cultural) inseriu Fortaleza num importante circuito de filmes independentes e mostras nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que dava ensejo a projetos paralelos. Tratava-se de um ineditismo, em termos de Nordeste, já que o grupo Unibanco, até então, tinha salas de exibições apenas em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre (hoje, são 114 salas no Brasil, e as duas do Dragão do Mar eram as únicas da cidade).

A opção do grupo por Fortaleza decorreu da atração despertada pela forte vocação cultural que emanava da cidade. A ousadia da criação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura era uma prova disso: o equipamento prometia dar impulso à vida cultural local, pô-la em contato com as expressões universais e atuar, ao mesmo tempo, como elemento catalisador das potencialidades cearenses. Assim foi, aliás, durante certo tempo (embora nunca tenha atingido, de fato, a totalidade daquilo que se propôs originariamente). 

Infelizmente, nos últimos tempos, parece que o próprio governo deixou de considerá-lo uma prioridade. O que, aliás, não é nada inédito, visto que a Cultura sempre foi vista como um elemento secundário nas preocupações do poder público, sobretudo, no Ceará.

O fato é que o Dragão do Mar entrou num processo de esvaziamento e de escanteio que comprometeu não só suas atividades, mas, a própria estrutura. A falta de uma manutenção sistemática, a degradação do entorno, pela ausência de segurança pública, e outros fatores paralelos cortaram o fluxo de frequentadores. Não chega a surpreender que esse processo atinja, agora, as salas de cinema, pondo fim a uma parceria que rendia uma diversão de qualidade e concorria para o enriquecimento cultural de seus frequentadores. Fortaleza não merece isso.

(O POVO ONLINE)

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