A Polícia Federal multou nesta quarta-feira (18) seis bancos em R$ 808,9 mil por descumprimento da lei federal nº 7.102/83 e normas de segurança, durante o julgamento de 89 processos abertos pelas delegacias estaduais de segurança privada (Delesp) na 93ª reunião da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP), em Brasília.

Entre as principais falhas de segurança dos bancos destacaram-se o número insuficiente de vigilantes, alarmes inoperantes, planos de segurança não renovados e utilização de bancários para fazer transporte de valores, dentre outras.

O Bradesco foi o campeão das multas com R$ 318,1 mil, seguido pelo Itaú Unibanco com R$ 160,5 mil, Santander com R$ 156,4 mil e Banco do Brasil com R$ 120,6 mil. Mercantil do Brasil e Banco do Nordeste do Brasil (BNB) também foram punidos.

Houve ainda aplicação de penalidades contra empresas de segurança, transporte de valores e cursos de formação de vigilantes. Foi a primeira reunião da CCASP em 2012. 

A CCASP é integrada por representantes do governo, trabalhadores e empresários. A Contraf-CUT representa os bancários. Já a Febraban é a porta-voz dos bancos. A reunião foi presidida pelo coordenador-geral de Controle de Segurança Privada (CGCSP) da Polícia Federal, delegado Clyton Eustáquio Xavier.

“Essas multas comprovam que entra ano, sai ano e os bancos continuam tratando com descaso a segurança de trabalhadores e clientes, o que contribui para a onda de assaltos e sequestros, que tem ocasionado mortes, feridos e pessoas traumatizadas”, disse Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT.

Os números dos balanços, segundo o Dieese, também comprovam o desleixo com a segurança. Os cinco maiores bancos do país lucraram mais de R$ 50,7 bilhões em 2011. Já as despesas com segurança e vigilância somaram R$ 2,6 bilhões, o que representa uma média de 5,2% do lucro. “Isso mostra que os bancos gastam muito pouco com segurança, expondo ao risco a vida de trabalhadores, clientes e usuários”, aponta diretor da Contraf-CUT.

Veja o montante de multas por banco:

Bradesco – R$ 318.164,83
Itaú Unibanco – R$ 160.565,20
Santander – R$ 156.432,28
Banco do Brasil – R$ 120.601,91
Mercantil do Brasil – R$ 42.564,00
Banco do Nordeste do Brasil – R$ 10.642,06

Total de multas: R$ 808.970,28

Transporte ilegal de valores

A utilização de bancários para o transporte de numerário foi uma das principais ilegalidades punidas pela Polícia Federal. O Bradesco foi novamente condenado por essa prática ilegal. Uma mesma agência do banco em Rio Branco, a capital do Acre, foi multada em nove processos, totalizando R$ 127,6 mil.

O chefe da Divisão de Controle e Fiscalização de Segurança Privada, delegado Henrique Silveira Rosa, orientou os sindicatos a fazer denúncias por escrito para a Delesp mais próxima sobre transporte ilegal de valores e outros procedimentos que infringem a lei federal nº 7.102/83 e as portarias da Polícia Federal.

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Retirada de portas giratórias e abertura de unidades sem segurança

Ao final da reunião, a Contraf-CUT e a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) entregaram uma carta ao coordenador da CCASP, “manifestando a grande preocupação dos bancários e vigilantes de todo Brasil, diante da política adotada por alguns bancos de retirada das portas giratórias de segurança com detectores de metais em seus estabelecimentos. Um deles é o Itaú Unibanco, que vem fazendo reformas em sua rede de agências, priorizando a estética das unidades e descuidando da segurança”. 

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“Verificamos também que vários bancos estão abrindo agências e postos de atendimento, o que é positivo como forma de estender a prestação de serviços bancários para milhões de brasileiros que ainda não possuem conta corrente. O banco que mais inaugurou unidades em 2011 foi o Bradesco, sobretudo em função da perda do Banco Postal para o Banco do Brasil. No entanto, diversos estabelecimentos foram abertos sem portas giratórias e até mesmo com apenas um ou nenhum vigilante, descumprindo a lei federal nº 7.102/83, e ainda sem guichês para os caixas, fragilizando a segurança dos trabalhadores”, denunciam as entidades.

“Solicitamos que a Polícia Federal realize uma operação especial para fiscalizar o plano de segurança dos estabelecimentos bancários, sobretudo do Itaú Unibanco e Bradesco, observando principalmente a instalação de portas giratórias, a presença de vigilantes e o transporte de valores”, propõem a Contraf-CUT e a CNTV.

Bancos não priorizam segurança

“Apesar das multas, os bancos continuam infringindo as leis de segurança e, com a estratégia de retirar portas giratórias e abrir unidades sem vigilantes, eles causarão ainda mais insegurança para trabalhadores e clientes”, alerta André Pires (Spiga), diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.

“A ganância impera no Itaú Unibanco, pois, em vez de investir na segurança de trabalhadores e clientes, retira portas giratórias em estabelecimentos, visando tão somente a redução de despesas para bater novos recordes de lucros e atingir índices de eficiência que não levam em conta a proteção da vida das pessoas”, salienta Valdir Machado, diretor da Fetec de São Paulo.

“A negligência dos bancos com a segurança é tão grande que estão abrindo agências sem planos de segurança e até postos de atendimento sem nenhum vigilante, colocando em risco a vida das pessoas”, aponta Danilo Anderson, diretor da Federação dos Bancários de SP-MS.

“Os bancos, apesar dos lucros abundantes, continuam desrespeitando o cumprimento do plano de segurança nos estabelecimentos e investindo pouco em equipamentos que serviriam de proteção para dar tranquilidade aos bancários, vigilantes, clientes e usuários do sistema financeiro”, conclui Sandro Mattos, diretor da Fetec Centro Norte.

Fonte: Contraf-CUT