CONVÊNIOS DE R$ 5,7 MILHÕES COM INSTITUTO RONALDINHO GAÚCHO SERÃO INVESTIGADOS POR VEREADORES DA CAPITAL GAÚCHA; SUSPEITAS DE DESVIOS E SUPERFATURAMENTOS; SERVIÇOS PRESTADOS TÊM PROBLEMAS; JOGADOR NÃO VAI ESCAPAR DE SER CONVOCADO

247 – No mesmo dia em que o Senado aprovou a tramitação de um processo no conselho de ética contra o senador Demóstenes Torres e o Congresso se prepara para fazer a CPI do contraventor Carlinhos Cachoeira, o jogador Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo, também entrou na dança. Mas com outra música e em outro local. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou o pedido de abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar supostas irregularidades em convênios com o Instituto Ronaldinho Gaúcho, no valor de R$ 5,7 milhões.

Com isso, só falta, agora, o pedido chegar formalmente ao presidente da Casa, vereador Mauro Zacher, do PDT, para que a CPI seja instalada. Zacher já avisou que dará sua aprovação à CPI com muito gosto. Afinal, uma comissão com poderes para convocar um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo certamente terá o poder de atrair holofotes internacionais para a Câmara e seus integrantes.

Mais do que um ato publicitário, porém, a CPI do Ronaldinho pode proporcionar muitos problemas para o jogador. À primeira vista, a ONG que ele mantém em Porto Alegre, para auxílio a crianças e jovens carentes, têm uma série de problemas de administração. Em razão de seu nome forte, conseguiu atrair milhões em verbas, por meio de convênios. Um deles, no valor de R$ 2,3 milhões, teve a prefeitura da cidade natal de Ronaldinho como intermediária e recursos liberados pelo Ministério da Justiça. O problema é que as prestações de contas não batem, segundo os vereadores que querem a CPI, e há suspeitas de compras superfaturadas e desvios de recursos. A qualidade do serviço prestado é igualmente questionada. A ONG é presidida pelo irmão de Ronaldinho, o ex-jogador Roberto de Assis Moreira. Já há em poder da Câmara de Vereadores de Porto Alegre documentos da ONG em que Assis assina prestações de contas como tesoureiro e presidente do conselho fiscal, ao mesmo tempo. A coleta de assinaturas que deram origem ao pedido de CPI foi feita pelo vereador Mauro Pinheiro, do PT. A ONG, que ofereceu cursos de futebol, informática e reforço escolar, está inativa desde 2011, mas a secretária municipal de Educação de Porto Alegre briga na Justiça pela devolução de pelo menos R$ 354 mil que não teriam tido seus gastos justificados.

(BRASIL 247)