Professor da Uece postou foto no Facebook após
ser impedido de participar de seleção de professor
substituto por estar vestindo bermuda
(Foto: Alexandre Araújo Costa/ Arquivo Pessoal)

Um professor universitário foi impedido de participar da avaliação de candidatos à docência na Universidade Estadual do Ceará (Uece) no domingo (25) por estar de bermuda. “Me disseram: ‘com essa roupa você não pode participar’. Achei que estivessem brincando, mas era sério. Não costumava ir com essas vestimentas para a universidade, mas, além de ser domingo, a qualificação iria até 13h e em uma sala sem refrigeração, então, botei uma roupa correta. Minha bermuda, inclusive, cobria o joelho”, afirma Alexandre Araújo Costa. Ele decidiu lançar a campanha “Fazemos ciência de bermuda”.

A Uece informou que cumpriu normas estabelecidas pela instituição, que preveem a proibição da entrada de professores ou alunos usando roupas como bermudas, a exemplo do traje que usava o professor .

“Para mim foi um choque. Passei cinco anos estudando nos Estados Unidos e todo mundo adotava roupas apropriadas no verão. Muita ciência boa é feita de bermuda nos países do Norte”, diz o professor Alexandre Araújo Costa, 42 anos, doutor em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University, com pós-doutorado na Universidade de Yale. Por causa do incidente, a seleção de professor foi adiada, o que prejudicou os cinco candidatos à vaga.

Repercussão
O professor lançou uma campanha no departamento de Mestrado em Física para estimular o uso de roupas leves e iluminação natural nas salas:“vamos usar bermudas na maior parte do tempo e, inclusive, realizamos uma qualificação de mestrado ontem (28) com candidato, orientador e audiência vestidos de bermudas”. Segundo ele, o protesto também foi seguido pelos alunos do departamento de computação, que lançou o “Dia da bermuda” no curso.

Costa decidiu postar fotos dele de bermuda no Facebook, onde o conteúdo foi compartilhado e gerou debate na rede social. “Postei as fotos para atingir o público universitário e acabei levantando a discussão de que o tamanho da minha calça não é relevante, mas sim o conteúdo produzido na universidade”, conta. No texto publicado em seu perfil, o professor mostra-se revoltado com a relevância que o traje usado por ele.

O professor e integrante do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas reitera a atitude pelas condições do tempo de Fortaleza. “Existe um puritanismo de exigir roupas longas no calor dos trópicos, o que é burrice e nós que sabemos que o verão é eterno em Fortaleza. Tem também um quê de machismo, pois se fosse uma mulher com a bermuda do mesmo tamanho que minha dificilmente seria barrada”, afirma.

(G1 CEARÁ)

 

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