O município de Paraipaba (a 100 km de Fortaleza), amanhece, hoje, com quase todos seus secretários presos. Eles são acusados de participar de esquema de fraudes em licitações que, segundo o promotor Igor Pinheiro, deixou rombo de pelo menos R$ 2 milhões nos cofres públicos.

As 16 pessoas que tiveram prisão decretada foram detidas, ontem, depois de operação conjunta da Procuradoria de Crimes contra a Administração Pública (Procap) e da Polícia Civil. Uma delas foi solta ainda ontem.

Oito dos onze secretários municipais foram levados para a Delegacia de Capturas (Decap) e para o Departamento de Inteligência Policial, em Fortaleza. Além deles, o presidente e outros três membros da Comissão de Licitação do Município e empresários foram presos.

Computadores, documentos, celulares e duas armas foram apreendidos na operação, que se estendeu aos municípios de Itapajé, São Gonçalo do Amarante, Paracuru e Fortaleza. “Se antes a gente tinha provas de desvio de R$ 2 milhões, imagine depois da análise da documentação”, apontou Pinheiro, adiantando que deve haver mais prisões.

 

Empresa fantasma

O suposto esquema envolvia empresas fantasmas, como supostamente seria a Megalimpo Serviços. O endereço oficial é no centro de Itapajé. Ontem, a Polícia foi até lá e constatou que o local, nunca existiu. “Nem os vizinhos nunca ouviram falar nela”, acrescenta o promotor. 

As irregularidades incluiam não comparecimento de pessoas aos pregões presenciais, documentos com assinaturas pendentes e contratos e notas de empenho em branco.

O advogado de defesa dos agentes públicos presos, Fernando Macambira, afirmou ao O POVO que já pediu habeas corpus para seus clientes. Para ele, as prisões foram desnecessárias, já que “todos fizeram questão de falar sobre o assunto com a promotoria, quando convocados, e colocaram sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça”.

Ainda ontem, a secretária da Saúde, Luanda Araújo, conseguiu alvará de soltura. Antes de ser libertada, no momento da prisão, ela passou mal e foi levada ao hospital. O advogado não quis comentar a razão da libertação.

 ENTENDA A NOTÍCIA

As prisões decretadas pela Justiça são temporárias – de 5 dias – podendo ser prorrogadas por mais 5 dias. Depois desse período, a prisão preventiva dos envolvidos pode ser solicitada pelo Ministério Público.

Secretários presos

Luanda Araújo Alcântara (Saúde), Maria Vanderli Damasceno (Educação), Claudemir Silva Rodrigues (Cultura), Ingrid de Freitas Cordeiro (chefe de gabinete) Ana Cláudia Martins (Finanças), Arnaldo Carneiro Araújo (Controlador), Maria de Fátima Carvalho (Tesoureira), Iralício Lucena (Infraestrutura) e ainda Roberto de Oliveira (Comissão de Licitação – sem status de secretário).

 (Ranne Almeida – O Povo Online)

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