Se você é um daqueles que acha que os britânicos são frios, a devoção que eles têm a alguns brasileiros pode mudar essa impressão radicalmente. As paixões no Reino Unido são tantas que os brazucas que fazem sucesso na terra da rainha vão do automobilismo à alta costura.

Ayrton Senna — Os britânicos são alucinados por automobilismo. Os mais interessados no esporte costumam dizer que o alemão Michael Schumacher é o maior campeão da Fórmula 1, com sete títulos. Mas o melhor piloto de todos os tempos é o brasileiro, que ao longo da carreira só correu por escuderias inglesas: começou na Toleman, acelerou pela Lotus, foi tricampeão pela McLaren e morreu em 1994 no cockpit de uma Williams.

Daniella Issa Helayel — Essa estilista brasileira de Niterói era mais famosa na Europa do que no seu próprio país. Mas isso acabou quando uma jovem noiva entrou em seu ateliê, após recomendações de amigas. Era Kate Middleton, que se casaria meses depois com o príncipe William. Sob a marca Issa London, ela trabalha no elegante bairro de Chelsea. Entre as clientes estão as modelos britânicas Naomi Campbell e Kate Moss, além da cantora Madonna.

Gilberto Gil — Quando Bob Marley fazia sucesso com o reggae, os britânicos costumavam ouvir com alguma desconfiança. Quando Gil levou o ritmo jamaicano somado com elementos da bossa nova, a empatia foi imediata. Ao ser exilado pela ditadura, Gil fez de Londres a sua casa de 1969 a 1972. Foi do Reino Unido que ele e Caetano Veloso conquistaram público na Europa. Até hoje, já setentão, ele é recebido com reverência nos clubes londrinos de jazz.

Gisele Bündchen — A top model gaúcha de 31 anos pode morar nos Estados Unidos e ser casada com um jogador de futebol-americano, mas a legião de fãs britânicos não a abandona. A modelo esteve na capa de praticamente todas as revistas femininas influentes do Reino Unido. Em várias pesquisas, apareceu entre as mais belas do mundo, deixando para trás beldades locais como a rival Rosie Huntington-Whiteley e a atriz Catherine Zeta-Jones.

Jean Charles de Menezes — O eletricista brasileiro morreu aos 27 anos alvejado pela polícia, depois de ser confundido com um dos terroristas que participaram do atentado de 7 de julho de 2005, no qual 56 pessoas perderam a vida. O incidente alertou aos britânicos como é importante não se render ao terrorismo e abrir mão dos valores básicos da democracia que ajudaram a construir. Um memorial foi erguido na estação Stockwell do metrô.

Maria Ester Bueno — Tricampeã de simples no torneio mais tradicional do tênis e pentacampeã em duplas. Essa paulistana de 82 anos de idade é uma lenda viva de Wimbledon. Está entre os raros brasileiros que têm sua imagem moldada em cera no museu Madame Tussauds. Chamada de “bailarina”, foi uma das tenistas por quem os britânicos torciam — a rival dela era a americana Billy Jean King. Recebida até hoje com espumante e morangos com creme.

Marky Mark — É assim que o DJ Marco Antônio da Silva, 36, é conhecido entre os britânicos. Hoje ele prefere ser chamado de DJ Marky. Com sua música eletrônica cheia de suingue e drum and bass, conquistou prêmios no Reino Unido, ganhou programa de rádio e agitou as principais casas noturnas de Londres no início da década passada. Até hoje ele vai mensalmente à capital britânica para tocar em um dos pontos mais agitados da cidade.

Oscar Niemeyer — Por um tanto de verdade e outro de realidade, os britânicos reverenciam o centenário arquiteto carioca como o melhor de sua geração — a alternativa seria incensar o franco-suíço Le Corbusier. Os menos atraídos pelas obras do criador de Brasília costumam difamá-lo sob a acusação de ter se inspirado na catedral de Liverpool para construir a principal igreja da capital brasileira. Mas seus traços modernos continuam sendo um sucesso.

Pelé — Na Copa de 1958, o maior jogador de futebol de todos os tempos só ganhou espaço no time, aos 17 anos de idade, após o empate sem gols com os ingleses. Fez o gol da vitória no difícil jogo contra o País de Gales. Campeão. Em 1962, contundiu-se e viu da arquibancada a vitória sobre a Inglaterra por 3 x 1 nas quartas-de-final. Bicampeão. Em 1966, com Pelé lesionado, o Brasil caiu na primeira fase. Campeões, os ingleses cogitaram menosprezá-lo. Mas em 1970, o Rei do Futebol levou a melhor seleção de todos os tempos ao título. Boneco do museu de cera, reverenciado pela rainha. É o brasileiro mais popular no Reino Unido.

Sócrates — Tente andar pelo centro de Londres em um domingo de futebol. Alta chance de encontrar alguém com uma camiseta que mostre apenas o rosto do ícone brasileiro. Para os britânicos, o doutor é mais do que futebol: é um símbolo de quão interessante uma pessoa pode ser. Atleta, bêbado, pensador. No dia em que morreu, Sócrates teve mais fãs aos prantos no Reino Unido do que na Itália, onde jogou pela Fiorentina. The doctor vive.

(PORTAL MULHER – YAHOO)

Anúncios