Apenas três dos 20 principais aeroportos do Brasil estão em situação considerada “adequada” quanto à taxa de ocupação (abaixo de 80%) ou o mesmo que a capacidade atual de movimentação de aeronaves e passageiros. São eles os terminais de Manaus (AM), Salvador (BA) e Porto Alegre (RS). O aeroporto internacional Pinto Martins, em Fortaleza (CE), foi classificado como em situação “preocupante” ao lado dos aparelhos de Recife (PE), Galeão (RJ), Confins (MG) e Curitiba (PR). Todos com taxa de ocupação entre 80% e 100%.

Os outros 12 terminais entraram na categoria em estado “crítico”, acima de 100%. Entre eles estão os três maiores de São Paulo (Guarulhos, Congonhas e Viracopos); além de Brasília (DF); Santos Dumont (RJ); Florianópolis (SC); Vitória (ES); Belém(PA); Natal (RN); Goiânia (GO); Cuiabá (MT) e Maceió (AL).

As informações são do boletim “Radar nº 18: tecnologia, produção e comércio exterior”, levantamento produzido pela Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem. O objetivo do estudo é realizar uma avaliação dos investimentos nos aeroportos com recursos da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), e do orçamento fiscal no período 2002-2011. Além disso, o levantamento pretende avaliar o movimento de passageiros e da utilização da capacidade operacional dos 20 maiores aeroportos em 2011, bem como analisar a situação atual das obras a cargo da Infraero referentes aos terminais de passageiros dos 13 aeroportos envolvidos com a Copa do Mundo de 2014.

Fluxo histórico

Conforme o Radar nº 18, há 67 aeroportos sob a tutela da Infraero. “Em 2003, foram transportados 71 milhões de passageiros por meio destes terminais. Em 2011, este número passou para 179 milhões de passageiros, representando crescimento de 152%”, revela o estudo, constatando o fluxo recorde de usuários do transporte aéreo no País.

De acordo com o Ipea, o investimento público total no setor aéreo brasileiro, de 2003 a 2011, saltaram de R$ 138 milhões para R$ 7,3 bilhões. Somente no ano passado, foram executados R$ 1,3 bilhões.

Na opinião do coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos Neto, que assina o levantamento, o resultado já é um alento em termos de aporte financeiro destinado à área em relação a anos de estagnação. Porém, ele acredita, ser necessário um volume maior de recursos. “É importante saber que depois de 25 anos de esquecimento o setor aéreo voltou a receber investimentos. Contudo, os recursos ainda são insuficientes e só representam 0,7% do PIB em 2011”, compara.

Mudança de metodologia

Segundo o Ipea, a Infraero alterou a metodologia usada para calcular a capacidade da infraestrutura e aumentou o número de passageiros que podem passar pelos terminais dos aeroportos (o estudo levou em consideração a estimativa a partir do último trimestre de 2011).

Conforme o novo método, são considerados a alteração no perfil de usuário dos terminais e a capacidade ociosa nas instalações durante as madrugadas. Além disso, a estatal leva em conta avanços tecnológicos que contribuem para agilidade do processo de check-in, por exemplo, que pode ser feito pelo computador ou celular, reduzindo a necessidade de atendimento nos balcões das companhias aéreas.

Maior capacidade

Essa alteração “ampliou” a capacidade de receber passageiros de dez terminais dos treze aeroportos que receberão turistas na Copa do Mundo de 2014. Ao todo, a revisão estendeu de 66,6 milhões para 102,3 milhões de passageiros por ano.

Com isso, o aeroporto da Capital cearense apresentou o terceiro maior crescimento de capacidade (106,7%), atrás apenas dos terminais de Manaus (156%) e Porto Alegre (180%).

(DIÁRIO DO NORDESTE)
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