O sociólogo André Haguette, articulista do O POVO, faz uma avaliação histórico-política da sucessão no CIC. Para ele, o momento histórico atual não favorece uma ampliação da atuação da entidade além de suas próprias fronteiras, como aconteceu nos anos 80. 

“Eu acho que o CIC, hoje, funciona mais internamente em função dos seus objetivos de classe. É uma associação com função mais limitada. Nos anos 80 havia um contexto nacional de oposição e um desejo de transformação da sociedade, de liberdade, já que era o período da Ditadura”.

Haguette lembra que, nesse sentido, o CIC adquiriu uma dimensão muito maior do que sua própria história. “De uma certa forma, foi um fenômeno nacional, da participação dos empresários diretamente na política, e não só do Ceará, mas do país”.

A partir dos governos de FHC e Lula, o sociólogo avalia que a sociedade se acomodou dentro do estado de direito. “Neste momento, é esperado que os conflitos de classe internos se manifestem e até preconceitos de gênero. Nesse contexto, tenho a impressão que o Maia Júnior satisfaria interesses diferentes dentro do empresariado, mas não creio que teria uma ação mais abrangente”, conclui.

(Por André Haguette – O Povo Online)