As investigações da Operação Monte Carlo mostram, conforme o publicado ontem pelo jornal Correio Braziliense, que o senador Demóstenes Torres (DEM) conversou 298 vezes com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por telefone, entre fevereiro e agosto de 2011

Carlinhos Cachoeira Demóstenes Torres

Quando havia censura nas principais redações brasileiras, o jornal Estado de S. Paulo ganhou notoriedade ao publicar versos de sonetos de Camões, no espaço onde as reportagens eram cortadas pelos censores. No Brasil, a censura acabou, mas nem tanto. Jornais regionais nem sempre podem noticiar com total liberdade o que ocorre na política local. Talvez seja este o caso do Diário da Manhã, de Goiânia, que tem sido tímido na cobertura da Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlos Cachoeira e ainda poderá dissecar sua surpreendente influência na máquina pública de Goiás – tanto na segurança pública como na área econômica.

No entanto, mesmo sem destacar as estripulias do senador Demóstenes Torres (DEM/GO), amigo do peito do bicheiro, e do governador Marconi Perillo, do PSDB, que franqueou a máquina do Estado ao contraventor, o Diário da Manhã publicou hoje uma primeira página com fina ironia. Ela destaca um projeto do senador Demóstenes Torres de um parque no Araguaia, com uma foto de uma cachoeira ao lado. Às vezes, como dizem os publicitários, uma imagem vale mais do que mil palavras.

Mais audacioso na cobertura, o jornal “O Popular” publicou uma entrevista com Demóstenes. Nela, o senador diz que “não pode ser condenado por uma amizade” e comemora o fato de o escândalo não estar recebendo a cobertura adequada de veículos como Folha, Globo e Estadão.

As investigações da Operação Monte Carlo mostram, conforme o publicado ontem pelo jornal Correio Braziliense, que o senador Demóstenes Torres (DEM) conversou 298 vezes com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por telefone, entre fevereiro e agosto de 2011.

(Brasil 247)

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